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Alinhamento
1. A
Monte I
(A. Muge)
1a. Texto
(Mia Couto / voz: J.M. Branco)
2. Dia-em-dia
(A. Muge)
2a. Texto
(A. Muge / voz: anónima)
3. A Avó Tina
(Grabato Dias / A. Muge)
4. O Encontro
(Natália Correia / A. Muge)
5. Mamundo
(Amélia Muge / Sérgio
Godinho)
5a. Texto
(Eduardo Agualusa - 'Se o
Lobo Mau fosse Angolano')
6. Sono de Ser
(Fernando Pessoa / A. Muge)
7. A Sereia
(Hélia Correia / A. Muge)
7a. Texto
(A propósito de Laurie
Anderson / J. Lisboa)
8. A Irmandade dos Sonhos
(A. Muge / J. Martins,
A.Muge)
9. Se não tenho outra voz
(J. Saramago / A. Muge)
10. Nem Contigo Nem Sem Ti
(Popular, A. Muge / Popular,
Lopes Graça)
11. Trangulomangulo
(Popular / Gaiteiros de
Lisboa)
11a. Xácara das 10 Meninas
(Mário Césariny / voz:
Mário Viegas)
12. Um Outro Olhar sobre Caxias
(Fausto Bordalo Dias)
13. Por Trás Daquela Janela
(José Afonso)
14. A Veste dos Fariseus
(Sofia de Mello Breyner / A.
Muge)
15. Nossa Senhora da Azenha
(Popular)
Eito Fora
(Popular / vozes: Cramol)
15a. Texto
(Eduardo Agualusa - 'O
Inferno de Borges')
16. De Passinho
(J.M. Branco)
17. Para Cinquentões
(C. Drummond de Andrade / A.
Muge)
18. A Monte II
(A. Muge / percussões: Rui
Júnior e o Ó que Som Tem)
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Estreia
Amélia Muge e o novo
Espectáculo "A Monte"
Por João Maia
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Próximo espectáculo: Seixal (Fórum Municipal, dia 28 de Abril, às 21:30)Amélia
Muge, vencedora do prémio José Afonso pelo seu último trabalho 'Taco a Taco' estreou
nos dias 4, 5 e 6 de Abril, em Almada, no Auditório Fernando Lopes Graça (Fórum Romeu
Correia), o seu mais recente trabalho, intitulado 'A Monte'. Este não é ainda um
trabalho discográfico, não passando por enquanto de um concerto, porém não deixa de
ser uma oportunidade única de escutar o que de melhor se faz em Portugal, na área da
música de raiz tradicional. E que bom é, numa altura em que no panorama musical
português há poucas apostas nesta área, constatar que ainda há pessoas como Amélia
que se preocupam constantemente em mostrar-nos como pode ser bela a nossa língua, a nossa
música, em suma: a nossa cultura.
Apesar de grande parte do espectáculo ter como base a música, o seu núcleo reside
essencialmente na escrita. Isto porque praticamente todos os temas interpretados por
Amélia são essencialmente poemas musicados pela própria, provenientes de fontes como
Grabato Dias, Fernando Pessoa, Natália Correia ou Sofia de Mello Breyner. A escrita serve
sempre como fio condutor do espectáculo, sendo os temas, aqui e ali, interlaçados por
declamações e leituras de textos destes e de outros autores, às vezes pela própria
Amélia, outras recorrendo a gravações de nomes como José Mário Branco ou o saudoso
Mário Viegas.
A acompanhar Amélia (que, para além da fantástica voz a que já nos habituou, ainda
exibe os seus dotes na guitarra e na viola braguesa), estão alguns músicos que já em
outras ocasiões haviam colaborado consigo: José Manuel David (sopros, piano, acordeão,
percussões), Catarina Anacleto (voz, violoncelo) e António José Martins (voz, piano,
braguesa, percussões).
Apesar de tentar destacar algum momento do espectáculo ser um exercício fútil, devido
à constância da sua elevada qualidade, atrevo-me a enunciar alguns dos momentos que me
ficaram na memória. A leitura do texto que serve de introdução ao tema 'A Avó Tina',
bem como o próprio tema, são de uma simplicidade e de uma beleza verdadeiramente
tocantes. São também momentos mágicos as leituras de textos como 'Se o Lobo Mau fosse
Angolano' ou 'O Inferno de Borges', tal como as interpretações dos temas 'Mamundo', 'Por
trás daquela janela', 'A Veste dos Fariseus', 'A Irmandade dos Sonhos' e outros.
Diz Amélia que "andar a monte designa caminhos incertos, feitos a partir do que o
momento dá". Incerteza é também a sensação que nos assola após assistirmos a
este espetáculo. Incerteza por não sabermos se verá ou não a luz do dia como edição
discográfica (e será lamentável se tal não acontecer). Incerteza por não sabermos
até que ponto será possível transformar este espectáculo em algo de mais grandioso.
Com efeito, actualmente estão presentes em palco quatro músicos e há uma grande
utilização de 'samples' de outros músicos (Gaiteiros de Lisboa, Cramol, Rui Júnior), e
de outras vozes (José Mario Branco, Mário Viegas), o que se compreende e se aceita
tratando-se dos primeiros concertos. Mas é indubitável que Amélia tem material de
qualidade para um espectáculo mais alargado, se pensarmos que alguns dos músicos que
agora aparecem em 'sample' poderão eventualmente surgir como convidados em
apresentações futuras.
Seria, sem dúvida, uma grande forma de enaltecer a cultura portuguesa, numa altura em que
muita gente parece esquecida do que tal significa. Quer isto venha ou não a acontecer,
este espectáculo é, por si só, imperdível. Amélia Muge conseguiu, uma vez mais,
escrever uma bela página na história da música portuguesa.
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