Serpa
Encontro Terraculta e a festa das Lusofolias
Serpa, de 21 a 24 de Junho de 2001Serpa vai receber, de 21 a 24 de Junho o encontro "Terraculta" destinado às
Autarquias Locais, Agentes Culturais independentes, Entidades Regionais Públicas e
Privadas, sobre o tema "Parcerias Locais para a Acção
Cultural". A animar este evento, a Etnia e a Câmara de
Serpa organizam um programa dedicado às "Tradições de
Festa dos Povos do Mundo da Língua Portuguesa" - o "Lusofolias".
LUSOFOLIAS
Tradições de Festa dos Povos do Mundo da Língua
Portuguesa
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No ciclo do inverno, nas festas juninas, no carnaval, ou na época das colheitas,
os povos do mundo lusófono celebram, desde tempos imemoriais, os seus ritos e cultos com
grandiosas e participadas festas de rua. São expressões privilegiadas dessas folias, a
música, a dança, a pantomina, as artes circenses tradicionais ou o simples convívio em
volta dos comeres e dos beberes sagrados ou profanos.
Por força das conjunturas socioeconómicas e políticas, mas também muito devido a uma
atracção feita de instinto e afectos, de Portugal é hoje seguramente o território onde
coexistem - demasiado silenciosamente, a nosso ver - algumas das comunidades mais
nunerosas do universo lusófono.
Lusofolias é um projecto que visa, por um lado, dar visibilidade em Portugal às
expressões culturais desses povos e, por outro, trazer para a rua o sentido da festa e da
convivialidade que lhe é íntrinseco. No diálogo com as equivalentes tradições
autóctones portuguesas se irá assim - esperamos - abrindo caminho a uma descomplexada
celebração total e partilhada do sentido da festa colectiva que é característica comum
de todos estes povos.
TERRACULTA
Parcerias Locais Para a Acção Cultural
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Os homens não se unem por um
mercado.
Se fosse hoje, começava pela cultura
(Jean Monnet)
Essencialmente devido às suas notáveis potencialidades geradoras de evidentes
mais-valias económicas, sociais, ambientais e cívicas, a cultura é cada vez mais uma
parte importante da vida local e regional.
Cada vez menos entendidas como mero sinónimo de entretenimento
(razão pela qual foram relegadas durante muito tempo para o último lugar na
lista de prioridades do investimento público), as actividades culturais criam empregos,
satisfazem a auto-estima de sectores frágeis das comunidades locais, conbatem
pela ocupação de tempos vazios, por esse mesmo reforço da
auto-estima a inevitável exclusão social de grupos sociais e étnicos
em minoria nas sociedades em que se (não) inserem, aumentam e qualificam de forma
notável a oferta cultural e turística de micro-regiões periféricas ou isoladas
(invertendo, por essa via, a queda ou o afundamento dessas regiões nos
diversos contextos nacionais e regionais). Ponte privilegiada entre passado e futuro, a
cultura é, em suma, cada vez mais consensualmente um determinante factor de
desenvolvimento dos locais, das regiões, dos territórios.
Um imenso conjunto de pessoas, de colectivos, de entidades - autarquias locais,
associações, grupos informais, comunidades escolares - está hoje ligado regular e
insistentemente ao sector cultural. No entanto, se são também cada vez mais frequentes
as sinergias entre esses actores do desenvolvimento, a verdade é que não há, até ao
momento, estruturas e sistemas de troca de informação, de reflexão ou de incentivo ao
trabalho conjunto que possam ajudar a traçar,a médio prazo, uma linha de acção - ou de
referência, no mínimo - norteadora dessa acção.
Na verdade, o que sabe cada um de nós sobre o que faz o outro, em qualquer
outro lugar? Que estratégias de partilha, de intercâmbio ou de optimização de recursos
se geram dentro desse conjunto caótico e rico de iniciativas, de vontades, de em
muitos casos verdadeira entrega e paixão? Como podemos nós, actores ou animadores
dessa revolução silenciosa que vai - acreditamos - mudando e melhorando as
nossas vidas colectivas e individuais, reforçar o que podemos fazer juntos sem por isso
hipotecarmos a nossa espontaneidade, a nossa especificidade, o nosso direito (e dever) de
fertilizar quotidianamente a nossa diversidade?
Essas são, no essencial, as dúvidas criativas na base da convocação deste
encontro. Com esta inciativa pretende-se, por um lado, possibilitar um conhecimento maior
do que fazemos, e de como fazemos e, por outro, encontrar formas eficazes e duradouras de
sistematizar intercâmbios e parcerias capazes de enriquecer uma IDEIA GLOBAL de que a
cultura é veículo prioritário de desenvolvimento, de entendimento e de paz, assente no
reforço de um imenso conjunto de ACÇÕES LOCAIS em que essa ideia ganhe quotidiamente
mais força e demonstre, decidida e decisivamente, a sua justeza e o seu imenso poder
transformador.
Um povo culto poderá talvez não ser necessariamente um povo mais feliz. Mas
será certamente um povo mais adulto, mais inteiro do ponto de vista da
cidadania, dos ideais, dos comportamentos. E é com pessoas assim que se constrói um
futuro mais sólido, mais equitativo, mais gratificante. Nesse caminho, poderes locais e
sociedade civil devem cada vez mais gerar e reforçar parcerias, trazendo cada um os seus
saberes e as suas formas de estar para esse trabalho comum. Se muitos regatos fazem um rio
e lhe dão mais força ao caudal, ousemos sonhar nós um rio capaz de fertilizar áreas
distintas ao longo do seu percurso, rumo a um mar de múltiplas ideias portadoras de
futuro.
Algumas presenças confirmadas
Lois Bará, Vereador do Pelouro da
Cultura da CM de Pontevedra (Galiza - Espanha)
Xosé Abilleira, director da Associação Cultural Maio Lon-go, de Pontevedra
(Galiza - Espanha
Anton Cruz Freire, coordenação autárquica do BNG (Galiza - Espanha)
Humberto da Cruz, coordenador do UNEP-MAP (United Nations Environmental Programme -
Mediterranean Action Plan) Atenas, Grécia
Ben Hazard, Director do Departamento de Arte e Cultura de Oakland (EUA)
Denise Pate, directora da companhia Dimensions Dance ( Oakland, EUA)
Albert Siebelink, director da Stiechting Kultoer, Tilburg (Holanda)
Fermanda Paquelet- Coordenadora de Produção do Instituto Cultural Casa Via Magia,
Salvador (Bahia, Brasil)
Ivan Byschko Houdayer, Presidente da Associação Cultural Anoch, Palma Soriano
(Cuba)
Andres Soria Rodriguez, Vice-Presidente, CM de Palma Soriano (Cuba)
Anastasia Roniotes, Coordenadora do MIO-ECSDE (Mediterranean Information Office -
Environment, Culture and Sustainable Development) , uma Federação de Organizações Não
Governamentais do Mediterrâneo - Atenas, Grécia
Maria Miguel Estrela, vereadora Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do
Mindelo (Cabo Verde)
Leão Lopes, Coordenador da associação Atelier-Mar (Cabo Verde)
Gilberto Palhares, vereador da Câmara Distrital de Caué (S.Tomé e Príncipe)
João Carlos Silva, presifdente do CIAC- Centro Internacional de Arte e Cultura, da
região de Caué (S.Tomé e Príncipe) 