
Vaguear - Filipe Cal
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Sines
Danças Ocultas
Música para concertinas em Sines
Sines, Capela da Misericórdia, dia 16 de Janeiro de 2003, às
21:30h
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. .Os Danças Ocultas
são um dos projectos mais originais da cena musical portuguesa - elevando a concertina a
um novo estatuto e criando um repertório especialmente pensado para este instrumento.
Algo para comprovar ao vivo, em Sines, dia 16 de Janeiro.
Tudo surgiu pela iniciativa de Artur Fernandes, que desde logo foi
apoiado por Gabriel Gomes, o ex-acordeonista dos Madredeus - o qual desempenhou funções
na produção da estreia discográfica do grupo.
Artur Fernandes conjuntamente com Filipe Cal, Filipe Ricardo e
Francisco Miguel deram, então, fole a uma das mais interessantes iniciativas musicais
portuguesas da década de 90, numa altura em que a concertina começa a ser considerada um
instrumento com um potencial superior àquele que lhe fora atribuído pela maioria das
práticas do folclore português.
De início, o grupo apostava na reconversão de um imaginário
"erudito", mas aos poucos começou a criar o seu próprio repertório -
consubstanciado em temas tocados pela melancolia, incluíndo práticas originais como seja
a utilização do sopro das concertinas para criar peças de grande fôlego rítmico. Já
no segundo álbum, o grupo adensou o repertório, apostando numa maior diversidade
harmónica, rítmica e melódica, onde os Danças Ocultas adquiriram uma maturidade
indiscutível na execução dos instrumentos.
Entretanto, não é por acaso que Sines recebe alternativas
musicais feitas no nosso país. Aquela localidade tem vindo a conquistar um estatuto muito
especial na área das "Músicas do Mundo", levando aos palcos locais diversos
espectáculos de músicas de raiz tradicional e popular. No verão, o Festival de Músicas
do Mundo é um exemplo disso mesmo: sendo já um dos certames mais apelativos, apostando
num cartaz alternativo e de grande diversidade.
Simbolicamente, os Danças Ocultas transformaram o estatuto da
concertina e Sines serve de exemplo de como uma localidade pode ganhar toda a notoriedade
ao transformar - pela positiva - a sua aposta cultural. 
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