Coimbra
Percussão em Português
Festival de Percussão, Coimbra 2003
Coimbra, Jardim da Sereia/Museu
dos Transportes, de 16 a 28 de Julho de 2003, 21:30h
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. . . . . .Percussionistas
de todos os géneros musicais, do jazz, ao rock, passando pela percussão popular e pela
erudita vão mostrar, em Coimbra, os argumentos da percussão falada em Português. De 16
a 28 de de Junho de 2003.
A cidade de Coimbra vai ser palco de uma grande mostra de percussão nacional. Um
acontecimento que se realiza em exclusivo e por iniciativa da Coimbra 2003 - Capital
Nacional da Cultura. Pelos palcos de Coimbra, alternando o Jardim da Sereia e o Museu dos
transportes passarão projectos como os Gaiteiros de Lisboa, Pedro Carneiro, Djambonda,
Adufeiras de Monsanto, Netas di Bibinha Cabral, Tucanas, Quiné, Tin Tin por Tin Tum,
Drumming e Wok e o Ó que som Tem?
O Festival arranca com os Gaiteiros de Lisboa,
precisamente no dia 16 de Junho, num concerto a acontecer no Jardim da Sereia, a partir
das 21:30h - abrindo assim com os sons das músicas populares, por um dos mais aclamados
projectos nacionais das músicas de "raiz" tradicional. Com um novo disco
editado em 2002 - "Macaréu" - os Gaiteiros de Lisboa formaram-se em torno da
ideia de criar e utilizar instrumentos inventados pelo próprio grupo - na busca de tudo o
que possa fazer um som bizarro. Tubarões, Tambor de cordas, Túbaros de Orpheu, Orgaz,
Cabeçadecompressorofone, Clarinete acabaçado e Serafina; são exemplos de instrumentos
inventados pelo grupo. Antes de Macaréu, o grupo estreara-se nos discos editando em 1995
"Invasões Bárbaras" e dois anos mais tarde "Bocas do Inferno". Desde
então, os Gaiteiros de Lisboa desdobram-se em concertos e participações em discos de
outros projectos - tendo pelo meio gravado dois Romances Tradicionais na colectânea
"Novas vos Trago" e um disco ao vivo, gravado no CCB - de resto, o primeiro
palco que os ouvira tocar com a formação que ainda hoje permanece, desde 1995.
No dia seguinte, o festival continua à mesma hora, só que no
Museu dos Transportes, neste caso com um concerto de Pedro Carneiro - um
dos raros instrumentistas de percussão a dedicar-se por completo a uma carreira de
solista, com um percurso em ascensão no circuito internacional. Pedro Carneiro é
considerado pela crítica internacional como um dos músicos mais originais da nova
geração. Vencedor de inúmeros prémios (Prémio Jovens Músicos, Prémio Maestro Silva
Pereira, Park Lane Young Artists Auditions em Londres, Distinção do Orfeão de Leiria,
Medalha de Mérito da Cidade de Setúbal e Prémio da Hattori Foundation for Young
Musicians em Londres) participa regularmente em festivais e salas como no Festival
dAvignon, Concertos Promenade da BBC, Rhythmsticks Festival, Queen Elizabeth Hall e
Purcell Room em Londres, Festival Internacional de Música de Macau, Sonorities Festival
em Belfast, New Zealand International Festival of the Arts, Grant Park Music Festival de
Chicago e no Capital Theatre de Pequim. Como concertista é convidado regular de diversas
orquestras, como a London Mozart Players, Tampere Philharmonic Orchestra, Orquestra
Sinfónica Portuguesa, Orquesta de la Comunidad de Madrid, Orquestra Nacional da Estónia,
Gävle Symphony Orchestra, BBC National Orchestra of Wales e Orquestra Sinfônica do
Estado de São Paulo.
Os Djambonda levam de novo o festival ao Jardim da
Sereia, no dia 18 de Junho, também às 21:30h. O grupo Djamboonda foi criado em Portugal
no ano de 1992 e desenvolveu, ao longo dos últimos anos, um trabalho baseado na cultura
africana e na sua fusão com outras influências oriundas dos quatro cantos do mundo. A
proveniência multicultural dos elementos do grupo (Guiné-Bissau, Angola, Cabo-Verde e
Portugal), aliada à necessidade de expressão e recuperação das raízes do homem,
permitiu o desenvolvimento de uma linguagem própria que expressa o sentimento de união
com o universo.Baseando o seu trabalho na crença (primitivo / popular) de que todas as
formas de expressão artística nasceram da espontaneidade cultural, social e religiosa
dos povos, o grupo pretende criar um espaço mágico, em que o público seja levado a
envolver-se na energia contagiante das suas actuações. Assim, os Djamboonda apresentam
espectáculos fortes e explosivos, caracterizados pela expressão graciosa dos bailarinos
e pelo ritimo alucinante imposto pelos músicos, contrabalançado por temas mais
melódicos, tendo sempre a percussão como fio condutor. Os instrumentos de percussão e a
maioria dos ritmos e danças, que o grupo vem explorando tem a sua origem na étnia
Mandiga que se encontra em alguns países da África ocidental. A integração no grupo de
Carlos Camará (Bailarino do Ballet nacional da guíne-Bissau entre 1977/1991) e de
Gueladjo Sané (Percussionista do ballet Nacional da Guíne-Bissau entre 1982/1997) em
1997 trouxe ao grupo um profundo conhecimento das raízes culturais Mandingas que lhe
permite desenvolver hoje um trabalho de fusão espontâneo baseado numa tradição musical
genuína.
Novamente no Jardim da Sereia, no dia 19 de Junho, o 4º dia do
festival recebe três projectos de percussão no feminino: Adufeiras de Monsanto,
Netas di Bibinha Cabral e Tucanas. As Adufeiras de
Monsanto são um grupo de cantaras populares que, sempre acompanhando as suas
composições com o toque do típico Adufe, procuram manter vivas e divulgar as tão belas
e ricas canções criadas pelas gerações passadas. Dos grupos que hoje em dia transmitem
este testemunho, o grupo Adufeiras de Monsanto, é aquele que procura desenvolver um
projecto mais ortodoxo. As canções, assim como a arte de tocar o adufe, não admitem
qualquer alteração conceptual ou estrutural. E esta atitude é respeitada não só ao
nível musical como também ao nível do traje e da performance em palco. Com um
repertório que abrange desde canções de festa e romaria até à melancólica
Encomendação das Almas, passando pelos diversos temas "de trabalho", usados
outrora como paleativos das duras tarefas agrícolas, as actuações das Adufeiras são
autênticos repositórios vivos do viver e sentir dos nossos antepassados. O espectáculo
agora apresentado consiste numa recriação de várias manifestações tradicionais do
povo de Monsanto, apresentadas pelo grupo Adufeiras de Monsanto. Num universo fechado,
estão distribuídos vários objectos, ícones de várias manifestações: o trabalho, a
religião, o amor, a fertilidade.
O Segundo espectáculo do dia 19 é apresentado pelo colectivo
"Batuque Netas di Bibinha Cabral", que surgiu em 1987, no
Bairro 6 de Maio, concelho de Amadora, e enquadra-se hoje no âmbito das actividades do
Centro Social da Comunidade das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário. O grupo
adoptou o nome pelo qual são actualmente conhecidas alguns anos após a sua existência
em homenagem a Bibinha Cabral, uma das maiores cantadeiras de Batuque conhecidas em Cabo
Verde, já falecida. A maioria das mulheres é proveniente das Ilhas de Brava, Sal,
Santiago, Santo Antão e Boavista, mas todas se entenderam perfeitamente na linguagem
musical do Batuque que é comum às mulheres das várias ilhas que constituem o
arquipélago cabo-verdiano. O repertório apresentado pelo grupo é sobretudo baseado em
cantigas de batuque de Cabo Verde. No entanto, devido à sua função
interventora estas cantigas são naturalmente adaptadas num processo improvisado -
em função dos locais onde o grupo actua, das pessoas que estão a assistir e da mensagem
que se pretende transmitir. Os temas de grande parte das cantigas interpretadas pelo grupo
Netas di Bibinha Cabral relacionam-se com a difícil condição feminina e com os
problemas concretos com que elas têm de se defrontar no dia a dia da sua vida em
Portugal.
A fechar a noite do dia 19 de Junho sobem, então, ao palco do
Jardim da Sereia as Tucanas - um Grupo criado em 2001, que apresenta um
trabalho com sonoridades acústicas através de percussão e voz. São cinco mulheres que
apostaram os seus argumentos criativos na construção de instrumentos e composição de
temas inspirados nas tradições portuguesas, africanas e brasileiras. Influenciadas pelas
sua actividade em áreas tão diversas como o Teatro , Dança, Música Tradicional
Portuguesa ou o Rock, as Tucanas são compositoras e autoras dos seus próprios temas,
interpretados com bidons, cabaças, baterias, surdos, djembés, dumbas, entre outros. O
espectáculo é composto por uma forte componente cénica: brincam e jogam com o ritmo e a
harmonia, dentro de um visual muito próprio. Entre a sensibilidade feminina e a força
rude de tocar percussão.
No dia 20 de Junho, o festival regressa ao Museu dos Transportes,
para apresentar um concerto de Quiné, percursionista da Brigada Victor
Jara e também músico participante em vários projectos da música portuguesa,
apresenta-se agora num projecto que nasce da multiplicidade de experiências musicais e
extramusicais conjugando as suas facetas de percussionista e autor. Este trabalho a solo,
apoiado por "samplers" e sequenciação, pretende reflectir uma certa visão
universalista, dos ritmos do mundo.
Nos dias 25 e 26, também no Museu dos Transportes, prossegue o
Festival de Percussão Coimbra 2003, neste caso com dose dupla com os Tim Tim por
Tim Tum; em tons de Jazz e... muita diversão rítmica. São quatro baterias em
palco é por si só fascinante e o universo a descobrir, é tão vasto como a imaginação
de quem as toca e de quem as ouve. Não é só das baterias que vive o Tim Tim Por Tim
Tum, já que a filosofia deste grupo é que qualquer corpo ou objecto que produza som,
pode ser usado para fazer música. Grupo formado em 1996, por quatro músicos
multi-instrumentistas. Afirma-se com uma linguagem que explora o som e o silêncio, o
acústico e a estética, o gestual e o imprevisível. Fazendo uso de um universo de
interacção e improvisação entre os músicos. Comunicar é o objectivo deste projecto
seja por sons, ritmos ou expressão corporal. Para este reencontro com público, estarão
em palco Jim Black, Alexandre Frazão, Marco Franco e José Salgueiro. Despertar emoções
e contagiar os espectadores é a finalidade.
Antes de chegar ao fim, o festival prossegue, no dia 27 (no Museu
dos Transportes) com os Drumming - grupo de percussão, que surgiu em
1999 em resultado do primeiro curso superior de percussão aberto em Portugal. Sob
direcção de Miquel Bernat - percussionista e pedagogo de prestígio internacional - o
agrupamento, formado por alunos e professores, ostenta no seu currículo dezenas de
actuações em todas as principais salas do país. Foi grupo residente da programação
musical da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, com 8 actuações, apresentando os
mais distintos programas. Drumming resulta também da evolução da percussão erudita em
Portugal e na própria cultura ocidental, contribuindo, através da divulgação das
grandes obras contemporâneas, para um ganho progressivo de público para esta
especialidade, no seio da qual percorre as vias da inovação sonora e da poética do
espectáculo enquanto momento cénico único e total. Com a estabilização em termos
profissionais e autónomos, o projecto Drumming passou a desempenhar um papel central na
divulgação do mais significativo repertório existente para percussão, entrando numa
fase de desenvolvimento com compositores internacionais e portugueses. Nos últimos anos,
tem-se consolidado a singularidade do papel de Drumming na cena musical portuguesa,
mediante apresentações que vão da percussão erudita, ou do Rock-Jazz-World Music, à
música de cena para teatro, ópera e bailado, passando pela programação contemporânea
temática. O grupo tem, igualmente, apresentado programas concebidos para fins itinerantes
e didáctico-pedagógicos de trabalho com não profissionais.
A fechar o festival de percussão, no dia 28 de Junho, o Jardim da
Sereia recebe um concerto pelos Wok e O Ó Que Som Tem? Sob direcção de
Rui Júnior o espectáculo WOK conta com uma forte componente cénica, teatral e também
humorística que reflecte o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido com um grupo de
seleccionados entre o manancial de jovens artistas que integram o Projecto de Percussões
Tocá Rufar. Tendo o ritmo como pano de fundo, este é explorado e desenvolvido de
diversas formas, conceitos e timbres através do uso de instrumentos de percussão, com
ênfase para os tambores tradicionais portugueses, da luta de paus, do sapateado e
coreografias inspiradas no imaginário tradicional português. A disposição e
movimentação dos instrumentos no espaço físico, a dança, a côr, a colocação
teatralizada de adereços explorados como elementos percutíveis e a utilização a nível
rítmico de efeitos visuais com o mesmo fio condutor, são factores que criam ambiências
avassaladoras e descontentes tornando este trabalho uma experiência inesperada. Um
espectáculo em constante mutação, resultado de uma peculiar e única visão do Ritmo do
criador deste Projecto, Rui Júnior. 