Exposição
Exposição Giacometti
Caminho para um museu
Cascais, de Terça a Domingo, das 10
às 18 horas
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .No dia em que Giacometti faria 75 anos, a Câmara de Cascais inaugurou uma
exposição sobre a vida e obra do musicólogo de origem corsa, que um dia se fixou em
Portugal e ficou difinitivamente ligado à etnomusicologia portuguesa.
A Câmara Municipal de Cascais tem patente no Centro Cultural de Cascais a
exposição Michel Giacometti, caminho para um Museu. Esta exposição
comissariada pelo Museu da Música Portuguesa está aberta ao público de terça-feira a
domingo, das 10 às 18 horas.
A 8 de Janeiro de 2004, data do nascimento do etnomusicólogo, que cumpria 75
anos se fosse vivo, Cascais deu início a uma homenagem com a abertura da exposição
Michel Giacometti, caminho para um museu, em reconhecimento do seu valioso trabalho de
recolha, estudo e divulgação da música tradicional portuguesa. Através desta
exposição, que foi construída a partir do acervo existente no Museu da Música
Portuguesa, pretende-se dar a conhecer a vida e obra de Michel Giacometti e, também, o
trabalho e o programa do Museu.
A primeira parte da exposição conta-nos a história e dá-nos a conhecer o
plano de trabalho, o contexto e o percurso da sua investigação. Na segunda parte são
apresentadas a colecção de instrumentos e o seu legado documental, como os discos da
Antologia da Música Regional Portuguesa, os filmes Povo que Canta e toda a documentação
levantada nas suas missões pelo país. A exposição termina com os sons
escolhidos, partindo da selecção de quatro instrumentos musicais, que são tocados
por quatro músicos convidados.
A diversidade de suportes da documentação gerada pela sua investigação
(gravações, fichas, filmes, fotografias) levou o projecto expositivo, da autoria da
arquitecta Luísa Marques e Alberto Lopes, a tirar partido das novas tecnologias de
comunicação, usando os meios multimedia.
Será, pois, além de uma exposição para visitar, um espaço para estar, para
ouvir e para ver, um espaço para explorar e percorrer os caminhos de Giacometti na
descoberta da cultura tradicional.
Para marcação de visitas guiadas e programas didácticos devem contactar o Centro
Cultural de Cascais.
Sobre Michel Giacometti
Michel Giacometti (1929-1990), etnógrafo nascido na Córsega, ficará indubitavelmente
ligado à história e cultura do nosso país, pelo grande trabalho de recolha, estudo e
divulgação da música tradicional portuguesa. Para este investigador o imperativo da
preservação era o passo para a sua avaliação e integração na cultura nacional.
Podemos dizer que Giacometti conseguiu, no limite, salvaguardar estes documentos vivos,
traços profundos e ancestrais da cultura e do património musical português.
O seu encontro com Portugal deu-se nos finais da década de 50, deparando-se
então com um país essencialmente rural e tradicional, onde já eram visíveis os efeitos
do êxodo das populações para as cidades, a juntar aos sucessivos movimentos de
emigração. A consequência dessas alterações na permanência de uma cultura de
tradição oral, essencialmente ligada à vida do homem, era devastadora. A recolha
urgente e a fixação por meios mecânicos, já ensaiada por alguns investigadores, da
música tradicional portuguesa impunha-se e, na opinião do compositor Lopes-Graça, quem
se viesse a lançar num projecto bem organizado, assente em métodos criteriosos de
recolha e estudo a nível de todo o país, empreenderia um trabalho de grande alcance
nacional.
Em 1960 Michel Giacometti fundou os Arquivos Sonoros Portugueses, um plano de
acção que tinha por objectivo viabilizar o trabalho sistemático de recolha, estudo e
divulgação da música tradicional portuguesa, que cobrisse a totalidade do país.
Pretendia ele que os Arquivos viessem a ser um autêntico museu, onde se reuniriam os mais
diversos documentos sonoros, as músicas, as vozes e os sons do nosso tempo e que seriam
postos à disposição dos estudiosos. Numa entrevista, Giacometti referia que, em
França, se tinha desenvolvido um plano de investigação e recolha etnográfica, a nível
nacional, com o apoio de centros de etnologia criados em todas as universidades e que
funcionariam como museus-laboratório, onde se reuniria toda a documentação recolhida e
posteriormente seria estudada e divulgada. Segundo ele era o que deveria ser feito em
Portugal. Esta sua reflexão dá-nos de certa forma a medida, o propósito e o alcance do
seu projecto. A recolha, o estudo e a divulgação eram os traços de uma acção efectiva
de salvaguarda da cultura tradicional.
Ao longo de trinta anos realizou sucessivas missões de prospecção e recolha
em todo o país, fez levantamentos sistemáticos da música tradicional, da literatura
popular e observou a vida do povo. Gravou, filmou, fotografou e registou. Desenvolveu um
plano de edição fonográfica com a colaboração do compositor Lopes-Graça, realizou
filmes para a RTP, foi autor de programas radiofónicos no estrangeiro, fez conferências
e exposições. A colecção da Antologia da Música Regional Portuguesa com os seus cinco
discos, o filme/documentário Povo que Canta em trinta e sete programas para a televisão
e o Cancioneiro Popular Português editado pelo Círculo de Leitores, entre outras
produções, são referências inestimáveis do seu trabalho e de um forte projecto de
divulgação.
Em resultado desta sua obra imensa fundaram-se dois museus, o Museu do Trabalho
em Setúbal que acolhe as colecções geradas pelas campanhas do seu programa
Trabalho e Cultura, no âmbito do Serviço Cívico Estudantil, e o Museu da
Música Portuguesa em Cascais, que recebeu a sua colecção de instrumentos musicais
portugueses, uma colecção de objectos de arte popular e a sua biblioteca especializada,
entre outra documentação. Giacometti também colaborou de forma activa na definição do
programa deste Museu, que por sua vez veio a receber o espólio do compositor Fernando
Lopes-Graça. O Museu da Música Portuguesa, que tem como missão e objectivos a
preservação, estudo e divulgação do Património Musical Português, surge,
precisamente, pela história da sua constituição, deste feliz encontro do investigador
Michel Giacometti com o compositor Fernando Lopes-Graça, em 1960.