Foi sendo possível escutar nas críticas feitas à banda, uma certa confusão
pelo desligamento que este colectivo lisboeta faz aos elementos mais específicos da
cultura portuguesa e, também, das próprias culturas que os Dazkarieh traduzem para o seu
estilo musical.
A verdade é que fazem música a partir da imaginação de lugares, estilos e
repertórios - que no fundo não existem em lugar nenhum e que existem um pouco por todo o
lado. Essa mistura é a essencia que tem feito desta banda uma caixinha de surpresas.
Os ouvintes conhecedores, de outra geração, recapitulam projectos dos anos 70
que se aventuraram pelos mesmos destinos. Nessa altura, nenhum dos Dazkarieh tinha nascido
sequer. E por isso mesmo, estes antepassados não lhes servem de amparo ou referencia. A
música dos Dazkarieh foi, é e será uma invenção tão legítima, quanto original.
Mesmo assim, e menos "perdoável" talvez, foi a colagem ao estilo
"Dead Can Dance" na atitude vocal da antiga vocalista Beatriz, que se escondia
nesse universo - rico, é certo - mas totalmente marcado.
A formação mudou, mas alguns elementos que colaboraram com o primeiro disco
voltaram a fazê-lo neste trabalho. É o caso do Nuno Patrício - um músico
percussionista capaz dos maiores brilhantismos percussivos, também vestidos na pele do
camaleão das músicas de uma qualquer parte do mundo.
Vasco Casais é o motor da Banda e o chefe da orquestra, que reúne à sua volta
os talentos necessários para se arriscar num projecto de jovens músicos profissionais -
cuja rádio tem vindo a rejeitar - mas que o público soube sempre acarinhar.
Este novo registo conta com três temas cantados em português, dois dos quais
com letras de Tiago Torres da Silva. Do alinhamento fazem parte parte 11 temas cujas
composições foram divididas por Vasco Ribeiro Casais, Ricardo Gouveia e Filipe Neves, e
Dazkarieh. O disco foi produzido pelo próprio Vasco Casais e co-produzido por Luís
Delgado que também foi o técnico de gravação e mistura.
O Segundo disco será lançado numa edição do Jornal Blitz, em Junho, e o
concerto de lançamento volta a povoar as Ruínas do Convento do Carmo, no dia 17 de Junho
(desta vez, provavelmente sem a ameaça da Chuva).
Quase tudo soa a um "começar de novo", em torno da mesma liberdade do
infinito: imaginar músicas de mundos que não existem - e que somos nós (com eles) que
criamos. Os Dazkarieh estão sempre dispostos a fazê-lo... vivendo, algures, no planeta
terra. 
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Arquivo Agenda Maio 2004 Dia 21 Lisboa, Café-Teatro A Comuna, 24:00h | Dia 23 Zebreira,
Castelo Branco, 21:30h | Dia 29 Linda-a-Velha, Auditório Lurdes Norberto, 21:30h