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Sebastião Antunes (ao Centro)

 

 

Vários Locais
Quadrilha
Para conhecer ao vivo e em privado
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Em 2003 os Quadrilha assinaram aquele que é considerado o melhor e mais maduro trabalho da Banda, trazendo para a folk portuguesa influências de várias paragens e também uma mensagem com ideias em riste, servidas no meio da folia.

Deixamos aqui a proposta para conhecer os Quadrilha - o projecto que reune à volta de Sebastião Antunes vários músicos, há já vários anos. Primeiro, através dos vários concertos ao vivo agendados para julho - e também por via de uma entrevista publicada no próprio website oficial da banda.

Para ti qual o álbum dos QUADRILHA mais marcante?
Todos eles tiveram uma marca importante! O primeiro porque foi o primeiro disco a sair. O segundo porque quando se faz um primeiro disco a primeira questão que se põe é se se vai fazer mais algum ou não; o terceiro foi marcante porque teve uma grande viragem, foi quando a banda começou a trabalhar temas acústicos por completo, foi a entrada do Pierre (concertinista) foi o começar a aproximar-mo-nos da tradição. E o "Quarto Crescente" foi talvez o espelhar da interioridade do 2º disco mas também com uma vertente bastante acústica e penso que todos eles foram marcantes ! Este ( o novo ) marca uma situação nova, o aparecer dos bandolins e das gaitas de foles no disco em muito maior quantidade, ainda para mais porque estivemos 3 anos sem gravar, o grupo passou por um período difícil, e este disco vai servir para fazermos todos o tipo de experiências que nos der na cabeça porque vai ser um disco em que não estamos minimamente preocupados pelo que a crítica vai dizer ou não ! Com aquilo que as pessoas vão pensar estaremos sempre dado que fazemos os disco para elas, mas também queremos fazer para as pessoas aquilo que no apetece e queremos que elas saibam aquilo que nos vai na alma, e quando temos um tema como " Não Dêem Cabo Do Mundo"(novo single) que é um tema interventivo um tema que se lança para sonoridades da música do mundo, penso que estamos a seguir os passos de grandes grupos da linha Folk internacional, em Portugal será alguma coisa de estranho pois quando cá assumimos uma coisa como sendo muito tradicional estaremos a seguir um rumo um bocadinho em ramo verde, esperemos que o ramo não parta e que a seguir alguém vá fazer a mesmas coisas e cá já houve alguns exemplos desses como o do Sérgio Godinho, e apesar de não estarmos a seguir as suas pegadas queremos igualmente arriscar e este disco vai ter bastantes riscos. Mas é importante haver um safanão!

Qual a tua música preferida de cada álbum?
Não digo! É impossível para quem faz músicas ter a música favorita. Eu já disse isto imensas vezes, as músicas são um bocado como os nossos filhos! "Qual é o teu filho favorito, o mais velho ou o mais novo?" E são perguntas sem resposta! Há alturas em que gosto mais de umas, outras em que gosto mais de outras. Se estiver a tocar numa sala e tocar a "Balada Do Desajeitado" ou "Fraga" supostamente vou ter um ambiente muito mais enternecedor ; se estiver a tocar ao ar livre e tocar por exemplo a "Doideira" vou ter um feedback muito mais gratificante. As músicas são feitas em alturas diferentes e em ambientes diferentes, e se estiver triste faço uma música se estiver contente faço outra e se tiver que fazer uma música naquele dia independentemente do meu estado de espirito farei outra musica . É difícil escolher as músicas favoritas.

São os QUADRILHA uma banda mais de estúdio ou de palco?
As duas coisas, mas é uma banda que provavelmente se tiver que optar por uma eu penso que é uma banda que se espelha melhor ao vivo embora façamos discos e bons discos por isso não deixamos de ser uma banda de estúdio, e acabamos de entrar em estúdio pela 5ª vez!

Que podem os vosso fãs esperar de um concerto de QUADRILHA?
Podem esperar muita animação as letras terão sempre muito conteúdo pelo menos eu penso que os fãs terão sempre boas razões para assistir aos nossos concertos. Podem esperar tudo aquilo que conhecem da banda e mais um bocadinho! Há sempre alguma coisa de diferente, pode haver surpresas como por exemplo uma música nova. Assim os fãs podem sempre esperar coisas boas!

Qual o melhor concerto dado até hoje?
Aí já é possível falar dos melhores! Obviamente que há sempre concertos melhores que os outros. Eu penso que o melhor concerto da Quadrilha, e aqui vou mesmo afirmar como sendo o melhor, foi supostamente este ano ( 2002 ), no dia 3 de Agosto no festival Inter-Céltico da Carvalheira, na Galiza, em que tocámos com 2 bandas que dentro da área Folk estarão muito mais bem cotadas do que nós, que são os KepaJunkera do País-Basco e os WolfStone da Escócia, e correu-nos extraordinariamente bem ! Foi um concerto fantástico, para cima de 5 mil pessoas a assistir. Foi muito bom!

E para quando um álbum ao vivo?
Era para ser este. Houve algumas divergências com uma editora que insiste em não nos dar resposta sobre a libertação dos temas e concretamente quem sabe a seguir a este...Vá!

Que balanço fazes de 11 anos de carreira dos QUADRILHA?
11 anos de carreira dos Quadrilha, 5 discos. Faço um grande balanço, excelentes experiências, muito bons amigos feitos em muitos sítios, talvez gostasse de ter tido mais concertos, talvez gostasse de ter vendido mais discos mas não me posso queixar. Continuo a achar que estamos no bom caminho e a fazer coisas boas e a ter muita gente que vai ver os espectáculos!

Quais são as tuas influências musicais?
As minhas grandes influencias musicais são acima de tudo a música tradicional! A Portuguesa e depois a influência de outras músicas do mundo. A música Folk do Norte da Europa aquela que se diz música Celta, da Irlanda, da Escócia, da Bretanha, e depois ultimamente de há uns 3 anos para cá ganhei algumas influências da música do Magrebe de Marrocos, da Argélia, a música do Tuaregs e depois algumas influências de trovadores dos anos 60 como Bob Dylan, a Jonnie Mitchel, o James Taylor que é um dos meus cantores favoritos, os Pink Floyd, e tenho uma enorme simpatia por todos os músicos portugueses que também me influenciaram bastante como Sérgio Godinho, o Fausto, o Vitorino, Zeca Afonso imenso, acima de muitos! São muitas influências e boas.

Qual o sítio de Portugal mais inspirador para as tuas músicas?
Existem muitos, quando fiz a "Toada Do Alentejo" foi inspirada pelo Alentejo; quando fiz a "Rio d´Onor" foi inspirado por Rio d´Onor. Penso que há muitos sítios desse género em Portugal e este álbum vai ter mais um que me inspirou a fazer uma musica. Portugal é um país óptimo para ter grandes inspirações conforme as vivências que nós lá temos...

Projectos

Em que consiste o "Trio Sebastião Antunes"?
"Sebastião Antunes Trio" é um projecto que gosto imenso, é o meu projecto a solo que toca algumas músicas originais minhas e também muitas coisas da tradição celta que me agradam particularmente desde as coisas de Trás-os-Montes, da Galiza, da Escócia, Irlanda, da Bretanha etc. É um projecto que tem uma vertente muito mais simples para salas pequenas mas também já se começou a expandir para o ar livre e este ano começou a tocar em pequenos festivais inter-célticos como o Festival De Arte E Ofícios De Famalicão Da Serra e pequenos festivais no interior do país como o Festival Inter-Céltico de Santulhão e já tivemos um concerto em Espanha que foi muito interessante.
Se calhar também vamos gravar um disco quem sabe. É um projecto que não está para morrer, fez 14 espectáculos este ano ou talvez mais e já teve uma série de espectáculos nos Açores . Tem estado bem e recomenda-se!

Sabendo à partida que és um músico requisitado para variadíssimos projectos, que algo de novo podes tu trazer a eles?
De vez em quando toco em projectos de algumas pessoas . Gosto! Aquilo que eu lhes trago de novo penso que não posso ser eu a responder. Nesta altura por acaso não estou a trabalhar com ninguém em projecto algum dado que estou muito ocupado com os meus projectos. Já trabalhei com o grupo Real Companhia, uma das últimas coisas que fiz; há 3 anos trabalhei no último disco da Dulce Pontes.

Quem tu escolherias para um dueto, morto ou vivo?
Eu não sei bem quem escolheria neste momento, teria de pensar nisso. O José Afonso ! E depois há muito boa gente que gostaria de cantar com, mas não gostava de mencionar nomes mas há bastantes . A pergunta é pertinente e penso que foi mais ou menos respondido!

Com o advento da música electrónica, pegando no exemplo do álbum dos Madredeus, para quando um "Quadrilha Electrónico"?
Eu gosto muito desse disco dos Madredeus! Acho que foi um inovar inteligente. Se nós tivermos em conta que qualquer dia temos de começar a tomar em conta quais são os instrumentos modernos ou tradicionais porque afinal de contas nós também usamos na tradição instrumentos que não existem há muitos anos,como a concertina que é usada como um instrumento tradicional é um instrumento do Século XIX . Daqui a 100 anos os sintetizadores também serão instrumentos tradicionais, não haverá grande diferença. Não tenho nada contra em fazer um disco electrónico. Dançável já seria mais difícil porque não teria recursos em termos técnicos para fazer uma bom disco dançável. Penso que deixo isso para os grande Dj´s e para quem está dentro desse ramo.

Estado da Música Portuguesa

Qual a tua opinião sobre o estado actual da música popular portuguesa?
Já esteve pior e podia estar melhor! Desde há uns tempos para cá que têm aparecido bons projectos novos, tem havido muitas ideias novas, já começa a haver alguns grupos de musica popular a gravar discos ao vivo, e é de louvar a página www.at-tambour.com que dá um grande apoio à musica portuguesa! É fundamental que haja ideias novas, que haja muitas coisas novas e neste momento está a haver uma grande abertura para isso . Ainda há pouco tempo conheci 2 projectos que achei fabulosos que são os Daskarie de Lisboa e os Mandragora do Porto mas estou a falar nestes como poderia falar em outros, penso que são projectos super interessantes que fazem todo sentido. Já existe muito mais gente a tocar gaita de foles, em Lisboa já existe uma escola e uma Associação de gaita-de-foles, já houve o 1º encontro de tocadores tradicionais, há muitas coisas boas que estão a aparecer agora com o intuito de não deixar morrer as tradições e são essas coisas que vão fazer com que nada morra e que haja uma tradição constante, porque a tradição é uma coisa inerente a nós, não faz parte do passado, nós somos tradição todos os dias!

Quem são os Elos mais fortes e mais fracos da música portuguesa?
Os Elos mais fortes são sem duvida os músicos. São eles que a fazem, são eles que lutam diariamente para que ela aconteça e para que ela não morra.Os Elos mais fracos são aqueles que não gostam de música portuguesa e que são insensíveis a essas coisas e não estão atentos. Mas penso que de uma forma geral quase toda a gente quando é desperta para estas coisas torna-se um Elo mais forte.

Para ti, quais são os dignos sucessores da música popular portuguesa da actualidade, sabendo à partida que QUADRILHA já é um nome afirmado dentro do género?
Eu penso que a Quadrilha é um bom sucessor daqueles que deram inicio a um estado publico da musica popular portuguesa. Sempre existiu a musica portuguesa, mas houve aqueles que acreditaram e pegaram nela nunca a deixando morrer, como é o caso do já falado Zeca Afonso e de muitos outros como o Júlio Pereira; do Fausto; do Vitorino; do Sérgio Godinho e se me esqueci de alguém não é por demérito. Entretanto têm aparecido outros projectos como a Brigada Victor Jara que foi um grande projecto que aparece em 1975; e também os Realejo.
Depois aparecem outras coisas novas como Mandragora; Daskarieh; Comvinha Tradicional; Beltane; Segue-me à Capela que é um projecto extremamente interessante com 7 raparigas. Há coisas muito boas na música nesta altura!
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