Aveiro
Festival Sons em Trânsito
Teatro Aveirense,
de 5 a 13 de Novembro de 2004, 21:30h
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A cubana Omara Portuondo ocupa o lugar de cabeça de
cartaz do SET 2004, mas as restantes propostas musicais confirmam que este festival quer
mesmo estar entre os mais arrojados. Nos portugueses, o destaque vai para as Segue-me à
Capela.
O programa deste ano do Sons em Trânsito, o Festival de Músicas de Mundo de
Aveiro, contará com um programa, como sempre, diversificado e apostando na qualidade.
Nesta terceira edição, a realizar entre os dias 5 e 13 de Novembro, caberá ao colectivo
vocal feminino Segue-me à Capela a abertura do festival, seguidas de Janita Salomé. Uma
primeira noite, por isso, dedicada às grandes vozes portuguesas e em português. Segue-me
à Capela são autoras de um dos mais belos discos portugueses da música tradicional dos
últimos tempos e Janita Salomé é o senhor do maior exotismo e coragem criativa.
No dia 6 a noite fica por conta do inglês Jim Moray, a grande revelação da
folk britânica deste ano. Jim Moray é um jovem de 22 anos que gravou sozinho em casa o
seu disco de estreia, "Sweet England", em que todos os instrumentos foram
tocados por ele próprio, isto para além de ter também assegurado a produção e a
edição do trabalho na sua própria editora criada para o efeito. O resultado foi aquele
que é considerado o mais revolucionário álbum da folk britânica dos últimos 30 anos.
No dia 7 actuam os Tuxedomoon, uma estreia entre nós deste histórico grupo
norte-americano, no momento em que o seu regresso aos discos foi unanimemente aclamado.
Tal como no ano passado, o Festival divide-se por dois blocos, em que o segundo
começa no dia 11 com a Cubana Omara Portuondo, uma aposta forte deste cartaz e que é,
provavelmente, um dos nomes à escala mundial mais fortes das três edições do Sons em
Trânsito.
No dia 12 actuam os espanhõis El Bicho, um projecto de renovação do flamenco.
Originários de Madrid, El Bicho, a par dos Ojos de Brujo, são considerados os principais
responsáveis pela crescente popularidade do flamenco junto das gerações mais novas.
Menos radicais que os seus colegas de Barcelona, EL Bicho apresenta um flamenco que
conjuga fúria em bulerías e tanguillos com outros temas bem mais calmos.
A fechar o Festival, temos finalmente os Afel Bocoum, do Mali, um músico
seguidor de Ali Farka Touré, que normalmente participa nas gravações dos discos do seu
mestre Ali Farka. Entre muitas outras participações discográficas, Afel Bocoum entra no
primeiro disco do "Festival Au Désert". 