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Alinhamento

Carlos Paredes
Variações em Ré Maior
Alcino Frazão
Rapsódia de Folclore
Armandinho
Fado Armandinho
Jaime Santos

O Meu Sentir
Domingos Camarinha

acompanhando Amália Rodrigues Guitarra Triste
Domingos Camarinha
Guitarra Triste
José Nunes

acompanhando Vicente da Câmara As Cordas Duma Guitarra
José Nunes

Retalhos do Passado
Francisco Carvalhinho

acompanhando Carlos Ramos Minha Guitarra
Francisco Carvalhinho

Recordações
Raul Nery acompanhando Maria Teresa de Noronha Minha Dor
Conjunto de Guitarras de Raúl Nery

Fado das Trincheiras
Conjunto de Guitarras de Raul Nery

acompanhando
Fernando Farinha
Guitarras de Lisboa
Fontes Rocha

Variações no Fado Mouraria
António Chainho

acompanhando Lucília do Carmo Acordem as Guitarras
António Chainho

Variações em Mi Menor
Mário Pacheco

Canto da Sereia Encantada
Ricardo Rocha

Iniciação
Custódio Castelo

acompanhando Camané Guitarra Guitarra
Pedro Caldeira Cabral

Larghetto dos Prazeres
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Lançamento
A Biografia da Guitarra
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Vários mestres da guitarra portuguesa a acompanhar outros tantos ícones do fado estão reunidos nesta "Biografia da Guitarra" - um disco dedicado à Guitarra Portuguesa de Lisboa e à alma portuguesa do Fado cantado em Lisboa, ao longo dos tempos.

Fontes Rocha, António Chaínho, Armandinho, Carlos Paredes, Raul Nery, Alcino Frazão, Maria Teresa de Noronha, Amália, Camané ou Vicente da Câmara são apenas alguns dos nomes que fazem parte deste disco, onde os grandes mestres se cruzam com algumas das maiores vozes de sempre do Fado, em obras clássicas e imortais.

Em Biografia da Guitarra mostram-se as duas vertentes da Guitarra Portuguesa de Lisboa (a de Coimbra, seguir-se-á num próximo volume): as “guitarradas”, onde o guitarrista pode dar largas à sua técnica e imaginação, criando as chamadas “variações”; e o o “acompanhamento”, onde o guitarrista, estando atento ao poema, à letra, ao estilo e até à intensidade da voz do intérprete, pode e deve “ajudá-lo”.

Parte da série Biografias, este CD trata-se sobretudo de uma introdução a um instrumento ligado de forma tão íntima ao fado e à alma portuguesa.

Breve História da Guitarra Portuguesa
A “Guitarra Portuguesa” actual resulta do aperfeiçoamento da “Cítara Europeia” (instrumento introduzido em Portugal na 2ª metade do século XVI, vindo de Itália ou da Flandres e já difundido em meios populares nos finais do século XVII) e da sua fusão com a “Guitarra Inglesa” (parente daquela mas aperfeiçoada em Inglaterra e introduzida em Portugal na 2ª metade do século XVIII pela colónia inglesa do Porto).

A ligação da guitarra ao “Fado” só é conhecida a partir da 2ª metade do século XIX, numa altura em que a “Cítara Popular” já teria caído em desuso e a chamada “Guitarra Inglesa” ainda soaria nos salões da Lisboa Romântica.

Até esta altura, o “Fado” seria acompanhado pela “Viola de Cinco Ordens de Arame”, instrumento popular muito em voga, com exemplares típicos em todas as regiões, e que teria estado na origem de algumas “fórmulas de acompanhamento” herdadas pela guitarra.

A repetição das “fórmulas de acompanhamento” por tocadores de várias gerações acaba por constituir um “vocabulário da guitarra de fado” com “estereótipos de acompanhamento” que são um dos seus elementos de “identificação”.

Este instrumento, de sonoridade emotiva, adapta-se com facilidade à dolência do fado e o seu “acasalamento” com a viola (“Guitarra Clássica” ou “Guitarra Espanhola”) é perfeito.

Armandinho (1891-1946) é um marco na execução da guitarra portuguesa, criando “escola” onde se vão filiar outros grandes nomes, merecendo, a meu ver, destaque especial Jaime Santos, Raul Nery, José Nunes e Fontes Rocha.

Jaime Santos é autor de inúmeros fados e variações, sendo-lhe característica a sua notável execução mecânica, criando uma escola muito particular.

José Nunes, oriundo do Porto e inspirado nos “trinados nostálgicos” de Armandinho, no convívio com Salvador Freire e na técnica de Artur Paredes (notável guitarrista de Coimbra que estará em particular destaque num 2º volume que dedicaremos à Guitarra de Coimbra), cria uma nova escola em que, tirando partido das cordas bordões, exprime uma “mágoa ímpar” através de “gemidos e glissandos” muito próprios.

Raul Nery, exímio acompanhador e também discípulo de Armandinho, com um ferir de corda e um som inconfundíveis, a par de uma “garra” excepcional, forma com Fontes Rocha, Júlio Gomes e Joel Pina o célebre “Conjunto de Guitarras de Raul Nery”, a junção perfeita de quatro excelentes artistas. O Conjunto de Raul Nery chega a criar com a própria melodia e com o intérprete (Fernando Farinha e Maria Teresa de Noronha, por exemplo), um “todo” tão perfeito que não se imagina outro acompanhamento.

Fontes Rocha vai para o “Embuçado” nos finais dos anos 60, ao mesmo tempo que, juntamente com Carlos Gonçalves (guitarra), Pedro Leal (viola) e Joel Pina (viola baixo) acompanha Amália Rodrigues. É nesta época que Alain Oulman produz muita música para os versos de poetas como David Mourão-Ferreira e Pedro Homem de Mello. Essas músicas são depois “arranjadas” por Fontes Rocha que lhes faz “introduções” e “ornamentos” que não se podem mais dissociar das músicas originais. Além disso, obtém, usando uma guitarra de Coimbra com a “afinação de Lisboa” (ver nota), efeitos que valorizam o acompanhamento para aquele tipo de música e para as interpretações de Amália. Podendo considerar-se um discípulo de Armandinho, Fontes Rocha é também o criador duma “Nova Escola”, que se caracteriza pela simplicidade, pelo gosto e pelo partido que se tira da guitarra nas suas mais variadas vertentes. É também autor musical de inúmeros fados.

Raul Nery, Jaime Santos e Francisco Carvalhinho são, a meu ver, responsáveis por “estereótipos de acompanhamento” que, pela sua beleza, expressão e apoio ao intérprete vocal, ficaram como sinais de identificação inconfundíveis.

A BIOGRAFIA DA GUITARRA está longe de concluída. A simples existência hoje de instrumentistas como Fontes Rocha, Mário Pacheco, Ricardo Rocha, Pedro Caldeira Cabral, António Chaínho, Paulo Parreira, Custódio Castelo ou José Manuel Neto – para só citar alguns – é boa prova de que a história não acaba aqui. E não se surpreenda quem notar neste disco a ausência de alguns deles (ou de outros, estejam eles ou não em actividade). Trata-se dum 1º volume, que só pode ser entendido como uma introdução.

Note-se, por fim, a inclusão neste disco do “inclassificável” Carlos Paredes, demasiado heterodoxo para o podermos classificar apenas “de Coimbra” ou “de Lisboa”, embora a ambas pertença. Vindo na linha de seu pai, Artur Paredes, e dotado de um talento ímpar, ele dá uma nova dimensão à guitarra portuguesa, criando e executando peças de rara beleza e de uma técnica excepcional. A ele se deve a universalização da guitarra portuguesa e a sua música vem estimular toda uma nova geração.

Três Breves Explicações
Procurou-se nesta “BIOGRAFIA DA GUITARRA” mostrar as duas vertentes da “Guitarra Portuguesa” de Lisboa:

- As “guitarradas”, onde o guitarrista pode dar largas à sua técnica e imaginação, criando as chamadas “variações”.

- O “acompanhamento”, onde o guitarrista, estando atento ao poema, à letra, ao estilo e até à intensidade da voz do intérprete, pode e deve “ajudá-lo”.

É pela mão do Professor Martinho d’Assunção que a viola evolui consideravelmente, dando sempre o suporte rítmico e harmónico à guitarra mas dialogando com esta e permitindo ao guitarrista ter mais “espaço” para as suas “divagações musicais”.

Artur Paredes resolve por volta de 1945, juntamente com o construtor de guitarras João Pedro Grácio, criar aquela que passará a ser conhecida como a “Guitarra de Coimbra” (à qual será dedicado o segundo volume de “BIOGRAFIA DA GUITARRA”), distinguindo-se da de Lisboa por ter a ilharga alteada, escala alongada de 23 pontos e afinar-se um tom abaixo da de Lisboa, com cordas de calibre apropriado. Algumas modificações feitas na construção desta são depois aplicadas também na construção da “Guitarra de Lisboa”, que passa a beneficiar de qualidades acústicas bem melhores do que até ali. Voltar ao Topo

 

 

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