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Baden Powell

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Brasil
Música Brasileira deste Século
Por Marcos Souza
(Músico, jornalista, Produtor da Atelier Cultural e Coordenador Artístico da Gravadora Rob Digital - Brasil)

O Sesc vem desenvolvendo um trabalho muito importante para a cultura brasileira. Mas desta vez superou todas as fronteiras do tempo, imortalizando uma coleção com duas caixas repleta de nomes da música brasileira, além de dois livros que destacam as célebres conversas destes que foram e são a identidade da qualidade da Música Brasileira Deste Século. O cenário deste resultado vem dos programas Ensaio e MPB Especial, produzidos pelo experiente Fernando Faro, que estreou em 1969 na TV Tupi, e mais tarde, exibido na TV Cultura. Esta bela parceria, Sesc e Fundação Padre Anchieta, a inciativa do produtor musical, também velho guerreiro João Carlos Botezzelli, o Pelão, vem marcada pelas palavras certeiras do Diretor Regional do Sesc de SP, Danilo Miranda:

“Ao longo deste século, a música popular tem sido uma das principais fontes da criatividade brasileira. O Sesc de São Paulo sempre reservou a ela grande espaço em sua programação, estimulando criadores, produtores e público a um diálogo contínuo e proveitoso. A intensa produção de compositores, intérpretes e instrumentistas constitui um acervo precioso de ritmos e estilos, um universo inestimável de peças musicais marcadas pelo iluminado talento musical de nosso povo. Por tudo isso, a memória musical contemporânea não pode sujeitar-se ao risco de ver-se em débito com nossos autores e intérpretes. Para que possamos compreender os períodos mais significativos da história musical de nosso século, cumpre resgatá-los... Esses programas realizaram um expressivo mapeamento da produção de compositores e intérpretes populares, do início do século à atualidade. Este CDs, articula-se a um projeto que pretende perpetuar esse trabalho, dando voz e registro aos artífices de nossa história musical.”

Época de Ouro, o grupo de choro mais importante de todos os tempos, fundado por Jacob do Bandolim, vem num CD que é um verdadeiro passeio pelo gênero, ritmo aclamado, que nasceu no Rio de janeiro em 1870. Entre curtos papos animados, discontraídos e informativos, o repertório vem encantando nossos corações com Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, através dos violões de Toni, César (pai de Paulinho da Viola), o primoroso violão 7 cordas de Dino, o cavaquinho de Jorge Filho, o pandeiro mágico e certeiro de Jorginho do Pandeiro, e o bandolim chorado de Ronaldinho.

“O Época de Ouro, como César estava falando, foi fundado em 1964, mas eu só participo do conjunto a partir de 1972, quando recebi um telefonema do César para a volta do conjunto, que em 69 o conjunto parou, com a morte do Jacob... Ganhamos um prêmio como o melhor conjunto, pela revista Playboy, em 1977. Playboy! Já viu o Época de Ouro na Playboy?”

Jorginho do Pandeiro
Nossa mais recente perda, Baden Powell... Foi, mas ainda tinha projetos...Ele estava sendo escalado para uma gravação com o genial grupo Trio Madeira, o qual eu pessoalmente já tinha conversado com Zé Paulo, um dos integrantes do Trio, sobre a honra em participar deste encontro através da gravadora Rob Digital. Mas o tempo foi traiçoeiro...

Neste CD, o violão de Baden passeia pelas suas marcantes composições, fruto da entrevista dada em 1990 no programa Ensaio da TV Cultura. “Berimbau”, “Canto de Ossanha”, “O Astronauta”, “Samba Triste”, e suas histórias fantásticas:

“Eu cheguei muito entusiasmado na casa do Vinícius uma noite e eu tinha feito o Samba em Prelúdio, que ainda não tinha título. Lá para as quatro da manhã, quando estava na virada da terceira para a quarta garrafa, nós já estávamos de pileque e eu falei: “Vinícius, e a letra?”. Ele disse: “Eu queria dizer uma coisa meio desagradável, mas deixa para amanhã.” – “Mas o que ouve?”... Eu forcei muito e ele falou: “Olha, Baden, sabe o que é? Eu estou achando que esta música é plágio”...”Mas plágio de quem?” – É claro, Baden. Isso é Chopin puro. Você fez uma música de Chopin.

Vou acordar minha mulher, que toca muito bem piano, e o compositor predileto dela é Chopin.”...”Eu fiquei muito sem graça, ela sentou na sala, bom-dia e tal, escutou a música, escutou outra vez e falou: “Isso não tem nada de Chopin. É uma música romântica, Chopin também era romântico.”... Aí o vinícius implicou com ela também: “Quer dizer que não é Chopin? Tem certeza que não é Chopin?”.

Quando ela disse que tinha, ele não tinha saída e disse o seguinte: “Então Chopin esqueceu de fazer essa”. O “Samba em Prelúdio” estava nascendo. Ele passou para a máquina e fez essa letra.”

Baden Powell
E assim esta incrível viagem dos sonhos da música brasileira mostra ainda um pouco da música e história de Billy Blanco, Copinha, Geraldo Firme, João de Barro, João do Vale, Manezinho Araújo, Roberto Martins, Nora Ney, Roberto Paiva, Roberto Silva, Tonico e Tinoco, Zé Keti, Adoriran Barbosa, Bucy Moreira, Carlos Lyra, Ciro Monteiro, João Pacífico, Lupicínio Rodrigues, Mário Lago, Paraguassu além de:

“O meu conhecimento com a Carmem Miranda é que, vez por outra, eu passava pela rua do Ouvidor e ali tem uma casa de música, Melodias, e o gerente da casa me chamou e disse: “Joubert, vem ouvir uma cantora nova aqui”, e botou um disco da Carmem...Eu gostaria de fazer uma música para essa cantora, porque ela interpreta muito bem... De repente, ele disse assim: “Taí, ela taí chegando.” Aquele “Taí” ficou na minha cabeça e, no dia seguinte, eu levei para ela o:

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim.
Oh, meu bem, não faz assim comigo, não.
Você tem,
Você tem
Que me dar seu coração.

Joubert de Carvalho
“Por que Jackson? Isso é uma pergunta que muita gente faz...Esse nome de Jackson pegou desde o tempo em que você não era nascido ainda, no tempo do cinema mudo. Já ouviu falar em cinema mudo?” Jackson do Pandeiro

“A Mangueira foi fundada em 27 pra 28. A gente fazia muita bagunça, né? E a gente era malquisto no morro por causa daquilo. Aí nós resolvemos: bom, vamos fazer uma escola de samba. Já tinha a Estácio. Aí nós fizemos nossa escolazinha. Só tinha barbado...” Cartola
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