Bélgica
Ambrozijn
Tradição FlamengaDescobertos por Gabriel Yacoub, membro dos extintos Malicorne, este
grupo da Flandres é praticamente desconhecido em Portugal - tendo aparecido entre nós
por via de um álbum de Patrick Bouffard, dando provas do seu valor. O seu primeiro álbum
confirma esta descoberta.
Por João Maia
Há algum tempo tive a oportunidade de ouvir um disco do francês Patrick Bouffard,
chamado 'Roots and Rool' (que também já teve direito a um artigo neste espaço), no
qual, em dois temas, participava um grupo belga desconhecido de nome Ambrozijn. Estes dois
temas imediatamente despertaram o meu interesse devido à qualidade de ambos, pelo que
decidi procurar algo mais acerca deste grupo. Meses depois consegui obter em Paris o
primeiro álbum editado pelos Ambrozijn, que partilha do mesmo nome da banda, e posso
dizer que definitivamente valeu a pena a busca, uma vez que a qualidade daqueles dois
temas que havia escutado, se prolonga ao longo dos restantes quinze temas do disco.
Este quarteto belga, descoberto por Gabriel Yacoub, membro dos extintos
Malicorne, (que assina também a produção do disco), assenta o seu repertório na
tradição da Bélgica flamenga, muito embora se note em alguns temas influências de
culturas de outras regiões como a Escandinávia, o Norte de África (especialmente nos
ritmos), e até a Índia. Três dos quatro elementos do grupo (Tom Theuns, Wim Claeys e
Wouter Vandenabeele) dividem entre si a maioria dos instrumentos, e assinam alguns dos
temas do disco, ao passo que a execlente voz de Ludo Van Deau dá aos temas cantados
(quase sempre em flamengo, embora também haja dois em francês) uma grande profundidade.
Para além dos quatro elementos do grupo, o disco conta ainda com a participação de
alguns músicos convidados: Patrick Bouffard na sanfona, Bhaija Marakchi Abdellah em
várias percussões, e o próprio Gabriel Yacoub também dá uma ajudinha em alguns dos
temas.
O resultado é um disco muito bom, do princípio ao fim, no qual existem temas
mais enérgicos ('Woorden Uit de Zee', 'Tous les Amants', 'Sleepstraatscottisch'),
misturados com outros mais calmos ('Internetwalsen', 'Voktijn'), que têm em comum uma
elevada qualidade, não só no que diz respeito ao nível dos executantes, mas também aos
próprios arranjos de cada tema. Instrumentos como a guitarra, o violino, e o acordeão
diatónico têm uma grande preponderância ao longo de todo o disco, bem como as
percussões de origem árabe como a darbuka ou o tamborim, embora também se façam ouvir
outros instrumentos como a gaita de foles, sanfona, harpa ou cítara em alguns dos temas.
Este disco tem apenas um problema: é praticamente impossível de encontrar em
Portugal, mesmo em lojas como a Fnac onde o nome Ambrozijn não figura sequer nas bases de
dados, o que não deixa de ser estranho, uma vez que estas lojas comercializam outros
discos da mesma etiqueta belga (Wild Boar Music). Ainda por cima, esta banda belga tem já
lançado outro disco, intitulado 'Naradie', que se afigura de obtenção tão difícilcomo
o primeiro. De qualquer forma espero que as entidades organizadoras dos principais eventos
de música tradicional em Portugal tenham a oportunidadede ouvir estes belgas e de os
convidar para os festivais que organizam de forma a que a sua música se torne mais
divulgada no nosso país. Acreditem que vale a pena.