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Berroguetto - "Navicularia"
por João Maia

"Navicularia" é o título do primeiro álbum dos galegos Berroguetto, cujo segundo e último álbum até à data, a obra prima "Viaxe por Urticaria", já teve também um destaque neste espaço. Os Berroguetto são um sexteto composto por Paco Juncal (violino), Quico Comesaña (harpa, bouzouki), Guillermo Fernandez (guitarras), Isaac Palacin (bateria, percussão), Santiago Cribeiro (acordeão) e o multi-instrumentalista Anxo Pintos (sanfona, gaita, sax soprano, flauta), tendo estes três últimos feito parte do grupo Matto Congrio, que pegava na tradição galega e a misturava com estilos como o Jazz e com ritmos tropicais, e onde pontificava o bem conhecido Carlos Núñez. Posteriormente, Paco Juncal seria substituído por Quim Farinha e o sexteto passaria a septeto com a entrada da vocalista Guadi Galego.

Se os Matto Congrio eram um projecto mais arrojado, onde as misturas de vários estilos musicais se notavam perfeitamente, os Berroguetto, neste seu primeiro álbum atenuaram um pouco essa mistura e tentaram uma maior reaproximação à tradição galega. Fizeram-no, porém, de uma forma sólida e muito bem conseguida, assente na grande experiência e conhecimentos musicais dos seus membros. E beneficiaram do contributo do grupo das Pandereteiras de Cantigas e Agarimos. Não se pense, porém, que este é um álbum de música tradicional galega. É certo que a tradição daquela zona do Norte da Península Ibérica está bem presente ao longo do disco, mas também se encontram influências de outros estilos musicais como o Jazz e o Pop. É, por assim dizer, musica galega que é ao mesmo tempo tradicional e contemporânea e onde se nota, para além do virtusismo dos músicos, a excelência dos arranjos. Bons exemplos são temas como 'Navicularia', 'Anubía', 'Mornoambarina', e 'O Mandil', tema fabuloso, que termina o disco, e onde o protagonismo se divide entre a harpa de Quico Comesaña, o acordeão de Santiago Cribeiro, a fantástica sanfona de Anxo Pintos e as vozes do grupo de Pandereteiras.

Por tudo isto e muito mais pode dizer-se que este disco é, de facto, muito bom. E se a ele se juntar a maravilha que é o segundo disco deste grupo, "Viaxe por Urticaria", torna-se fácil de nos apercebermos que estamos, talvez, diante do melhor grupo galego da actualidade (que me desculpem osMilladoiro, Muxicas, Na Lua, e outros). Ficamos, pois à espera de futuros trabalhos deste grupo para confirmar se são ou não capazes de produzir umaobra prima em cada disco que lançam (tal como fizeram com estes dois).

Esperamos também por mais concertos deste grupo no nosso país (já cá
estiveram no Multi-Músicas de 1999) para podermos confirmar todo o seu valore virtuosismo ao vivo. João Maia
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