DCD 1981 - 1998
Dead Can Dance
O InícioBrendan Perry e Lisa Gerrard conheceram-se em Melbourne, na
Austrália, numa altura em que ambos lutavam pela sobrevivência musical dando concertos
em clubes locais. Lisa chegou mesmo a confessar que a dificuldade era muito grande,
especialmente porque o público nem sempre estava aberto ao tipo de experiência musical
que os seus concertos proporcionavam.
Desde que se encontraram pela primeira vez, a empatia entre ambos foi quase
imediata, como explica Lisa: "Eu reconheci que ele era brilhante no momento em que o
vi tocar. Brendan é extremamente inteligente, lúcido e tem uma fantástica abilidade de
comunicar através da música". E foi em parte devido à inteligência musical de
Brendan Perry que os Dead Can Dance seguiram pelos caminhos que hoje, mesmo após a sua
separação, os tornam num grupo de culto, que conquistou uma legião de fãs pelo mundo
inteiro. Segundo Lisa, "Brendan explorava todo o tipo de coisas. Era um
percussionista e um antropologista de muitas musicalidades e eu estava bastante receptiva
às suas descobertas".
Mas se grande parte da estrutura e textura musical do grupo era providenciada
pelas descobertas de Brendan Perry, Lisa Gerrard providenciava a alma, a espiritualidade.
Apesar de tocar alguns intrumentos, entre os quais o Yang T'chin, um dulcimer chinês com
idade ancestral, a característica que a tornou famosa foi a sua voz magnífica. Ou
melhor, não só a voz mas essencialmente a forma como a utiliza. "A minha voz é o
meu principal instrumento", explica a cantora, "provavelmente considerar-me ia
uma cantora, mas não acredito que o seja. Não sei se há palavras para descrever o que
faço - eu emito sons. Eu dou expressão a algo em que acredito e se calhar é por causa
disso que outros podem também acreditar".
Lisa não canta com a voz, mas sim com a alma. As palavras que entoa, na maior
parte dos casos, não são em nenhuma língua conhecida, mas sim a tradução em sons dos
seus sentimentos. E é impossível não nos deixarmos levar, seduzir, mesmerizar por esses
sentimentos, por vezes imponentes e majestosos, por vezes sombrios e melancólicos, por
vezes de uma beleza extraodinariamente delicada que é impossível traduzir por palavras. 