Depois de, durante mais de uma década, ter formado com Brendan
Perry o fabuloso duo Dead Can Dance, a australiana Lisa Gerrard enverdou por uma carreira
a solo da qual surgiram até ao momento dois álbuns: "Mirror Pool" e
"Duality", este último com a colaboração do percussionista australiano Pieter
Bourke. Para quem não conhece os Dead Can Dance, refira-se que este duo se tornou famoso
ao criar um estilo musical que dificilmente pode ser catalogado a não ser com a etiqueta
sempre vaga de "música alternativa".
O modo extraordinário como misturaram música medieval, com
música étnica, com
alguns laivos de pop, e com a fabulosa e misteriosa voz de Lisa Gerrard catapultou-os para
a fama com discos como "Within the Realm of a Dying Sun", "Serpent's
Egg", "Into the Labyrinth" ou "Toward the Within".
Quando Brendan Perry e Lisa Gerrard se separaram há alguns anos e decidiram
ambos seguir carreiras a solo, Lisa continuou com a preocupação de utilizar os seus
extrordinários dotes vocais da mesma forma como fazia nos Dead Can Dance. Mas o valor
desta australiana não se fica por aqui. Ela é também uma compositora por excelência
como demonstra neste álbum "Duality". É certo que o álbum bebe muito da
experiência acumulada nos Dead Can Dance, e pode ser considerado como uma continuação
do trabalho deste duo, porém notam-se também algumas diferenças nomeadamente no que
respeita ao uso da percussão e ao acentuar da componente étnica da música, deixando a
componente medieval (vulgar nas composições dos Dead Can Dance) um pouco para segundo
plano.
E para comprovar a qualidade da música deste novo duo, refira-se que Lisa e
Pieter foram convidados pelo realizador Michael Mann para compor a banda sonora do seu
filme "The Insider" e que esta já lhes rendeu a nomeação para o Globo de
Ouro, na
categoria de melhor banda sonora dramática. Enquanto não temos a oportunidade de
comprovar se esta nomeação é ou não merecida (nem o filme nem a sua banda sonora
estão ainda disponíveis em Portugal), resta deliciarmo-nos com este "Duality",
que apesar de muito bom, sabe a muito pouco.
João Maia