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Novas vos trago - Amélia Muge

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Donzela Guerreira

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Trata-se de mais uma balada internacional (conhecida, pelo menos, nas tradições francesa, italiana, germânica, húngara, romena, eslava e albanesa) mas já presente, no século XVI, em Portugal, pois este tema é referendado por Jorge Ferreira de Vasconcelos na Aulegraphia: Dinardo Pereira conversa com Grasinel de Abreu e, no meio das réplicas, canta versos deste romance (“Pregonadas son Ias guerras / de Francia contra Aragone. Cómo Ias haría, triste, viejo, cano y pecador?"). Presentemente, o romance é cantado em várias áreas onde o português, o castelhano, o catalão e o galego são línguas de comunicação, sendo de particular interesse o ter sido a "Donzela Guerreira" um tema conhecido em Goa (índia). A lição aqui gravada corresponde, com pequenas modificações, a um texto compósito elaborado por Amélia Muge, a partir de duas versões inéditas, coligidas por membros do Instituto de Estudos sobre o Romanceiro Velho e Tradicional.
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Versão de Aldeia da Mata (e. Creio), recolhida em 1988
- Está uma guerra declarada, lá p'r'ós lados da Golegã, de sete filhas que eu tive, sem nenhuma ser capitão. Responde afilha mais nova, com a sua descrição. - Pai, dê-me armas e cavalos, que eu vou a ser capitão. // Não quero que vás à guerra, não quero, minha filha, não, // por esse teu lindo cabelo, filha, te conhecerão. // - Deixe lá ver uma tesoura, se o quer ver cair no chão. // Pai, dê-me armas e cavalos, que eu vou a ser capitão. // - Não quero que vás à guerra, não quero, minha filha, não, // por esses teus lindos olhos, filha, te conhecerão. // - Eu, assim que lá chegar assentarei-os no chão. // Pai, dê-me armas e cavalos, que eu vou a ser capitão Não quero que vás à guerra, não quero minha filha, não, // por esses teus lindos pés, filha, te conhecerão. // - Costureiras há na terra, um colete me farão, // de apertado que me fica, que me aperta o coração. Pai, dê-me armas e cavalo, que eu vou a ser capitão. Não quero que vás à guerra, não quero, minha filha, não, // por essas tuas lindas mãos, filha, te conhecerão. // - Costureiras há na terra, umas luvias me farão. // Pai, dê-me armas e cavalo, que eu vou a ser capitão. Não quero que vás à guerra, não quero, minha filha, não, // por esses teus lindos pés, filha, te conhecerão. // - Sapateiros há na terra. umas botas me farão, // de apertadas que me fiquem, nunca mais se descalçarão. // Pai, dê-me armas e cavalos, que eu vou a ser capitão. // - ó minha mãe, minha mãe, minha mãe, minha não,// os olhos de Dom Marquês são de mulher, de homem não. // Ó meu filho, se queres saber,: convida-a, p'ra ir nadar // - Desculpem, meus senhores, façam favor de desculpar, // tenho um nó nas ceroulas, não o posso desatar, // Se você quiser casar comigo, venha a casa do meu pai. //
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Dona Olívia

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O romance de "Dona Olívia" só é conhecido graças às arcaicas memórias colectivas das tradições sefardita e madeirense, não tendo sido editado nas colecções antigas. Contudo, as versões judaico-espanholas sobrevivem contaminadas com o romance, inexistente em Portugal, do "Testamento do rei Filipe", tenra que poderia relacionar-se com a morte de Filipe 11 (Filipe 1 de Portugal), Os textos madeirenses, que não ultrapassam as 13 versões (12 publicados e uma inédita), são os únicos a apresentar o tema na sua forma pura, adquirindo uma invulgar importância, no contexto da literatura tradicional, devido ao papel protagonizado pela heroína. Com efeito, a protagonista (D. Olivia) não só assume a sua relação adulteraria, como defende a importância de um casamento por amor, independentemente das conveniências sociais, A versão aqui registada é fruto de uma reescrita de Amélia Muge construída a partir dos textos nos. 204 e 205, publicados em Romances Tradicionais (Funchal, 1982).
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- Que é que tens ò Dona Olívia que estás ,aí a chorar?
- Choro pelo meu amor que a morte o quer levar
Eu vou-me àquele castelo carpir aquele finado
Que o meu marido em vindo nada lhe seja contado
Nada lhe seja contado p'lo sol que nos tem criado
- Guardas, guardas, guardas postas, quem chora este fidalgo?
- Só quero que aqui me digam quem chora neste reinado
- Uns choram por seu irmão, outros pelo seu cunhado
só Dona Olívia, senhor, chora pelo seu amado
Adeus, adeus, que me vou, que me vou para outro estado
O amor desta senhora em que em que penhor terá seu pago?
Vai mandada p'ra Castela a seu pai de novo estado
Se me mandas a meu pai, eu também falar sabia
Que o meu amor era este qu'eu mesmo a ti não queria
Adeus, adeus, que me vou, qu’eu mesmo a ti não queria
De setefilhos qu'eu tive, quatro deles são deste fidalgo
Os teus vestiam burel e os dele vestiam até brocado
E dizei-me agora aqui à vista de tanta gente
A pior coisa do mundo é casar-sedescontente
Adeus, adeus, que me vou, com o meu amor p’ra sempre
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Amélia Muge

A música de Amélia é um universo sonoro muito particular, percorrendo rotas que ligam o antigo ao moderno, o popular ao erudito, a música portuguesa às músicas do mundo. Um espaço e tempo que não segue as convenções de leitura habituais. Uma matéria musical em viagem, desafiando as fronteiras dos géneros e dos estilos.
Ambientes sonoros desarrumados por uma inquietação que não se contenta em interrogar o “passado”, mas sobretudo a própria “modernidade” e as suas “novas tecnologias”, como se de um velhíssimo facto consumado se tratasse.

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