| Romanceiro
Tradicional
José Barros e Navegante
Rimances
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Excertos: Gerinaldo,
o atrevido
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. . . . . . .O romanceiro
tradicional português é o tema central deste regresso aos discos de José Barros e os
Navegante. Ao todo, 10 textos tradicionais musicados por este colectivo, que neste caso
fez-se acompanhar de mais 12 convidados especiais, todos com credenciais na música de
raiz tradicional portuguesa.
Rimances é o quarto disco da carreira de José Barros como líder e mentor dos
Navegante, um músico que se dedica à tradição musical portuguesa, e que neste caso deu
forma ao seu gosto pelos textos do imaginário tradicional português.
Para falar de "Rimances" é preciso, inevitavelmente, falar da palavra que lhe
dá alma. Os textos são praticamente todos tradicionais, à excepção de "Romance
Moderno", da autoria de José Barros e "Ai Silvina, Ai Silvininha" uma
adaptação de José Barros sobre um texto de António Gedeão.
Dos restantes Romances, alguns já tiveram oportunidade de ver a luz do dia
noutros projectos (Maio Moço e Gaiteiros de Lisboa, para citar alguns) - como é o caso
de "Era um homem muito rico", "mirandum", "Donzela que vai à
Guerra", "Tristes Novas Me vieram", "Bela Infanta". José Barros
seleccionou ainda "Fiz uma aposta Senhora", "Cego Andante",
"Clara Linda", "Minha mãe lá vemo Jorge" e "Gerinaldo, o
atrevido" - textos todos vestidos de novas melodias, compostas e arranjadas sobretudo
por José Barros, em colaboração com alguns dos músicos dos Navegante.
Este disco parte da ambição (e do risco) inerente a um trabalho fortemente
"temático". Ambição, por se obrigar a diversificar sobre si mesmo, a partir
de textos normalmente longos e que contam histórias - as quais têm de ser ouvidas com a
mesma importância que a música que as veste. Risco, precisamente pelas mesmas razões.
Quanto aos textos, a selecção e a aposta é claramente ganha - já que José Barros,
durante meses, navegou por diversos textos, até escolher aqueles que melhor serviam a sua
imaginação musical. Todos os romances são, por si só, histórias que podem ser
imaginadas na boca e nos ouvidos de amantes, guerreiros, heróis, cobardes ou solitários.
Em algums casos, um certo "excesso" é o que se pode dizer sobre os
estados de espírito que atingem a música com que José Barros serve estas histórias
portuguesas. Noutros casos, José Barros e convidados criam texturas inéditas, que
envolvem as histórias em ambientes mais sinsitros e, por isso mesmo, estimulantes.
Talvez a maior dúvida resida numa das suas maiores riquezas: a diversidade de
convidados. Isto, porque nem sempre se consegue daqui o melhor benefício - a par de uma
certa timidez nos músicos do Navegante, que em tempos articularam de forma mais sólida
com o estilo muito próprio de José Barros: muito sólido, melódico e senhor de si.
Os Navegante, para além de José Barros na Voz, Braguesa, Cavaquinho, nas
Guitarras e no bandolim; conta com Vasco Sousa no Baixo e no Contra-Baixo; Carlos Passos
no Violino; Hugo tapadas, no acordeão; Miguel Catalão nas flautas e na gaita; João
Luís Lobo na Bateria e nas percussões e Miguel Tapadas no Piano e no Sintetizador.
Ao lado destes músicos, "Rimances" contou ainda com a participação
de Verónica Silva, na Voz; José Manuel David nas Flautas, gaita, cornetos e trompa; Rui
Júnior nas percussões; Eduardo Monteiro na Gaita e Sanfona; Custódio Castelo na
Guitarra Portuguesa; Vaiss e Fernando Guiomar na Guitarra; Lopes da Cruz no Oboé; Nanuto
no Sax Soprano; Aida no Violoncelo; Mil-Homens no Didjeridoo; Rui Vaz, José Manuel David
e o próprio Rui Barros nos coros.
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