Novas
vos trago - Sérgio Godinho |

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O Rei e a Virgem Romeira |
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Normalmente, todos os temas romancísticos em que as
narrações poéticas se baseiam em relatos ou personagens do Novo Testamento são
classificados como pertecentes ao Romanceiro Religioso: mas, para sermos mais precisos, os
autênticos romances religiosos procedem de reformulações ao divino de romances profanos
elaborados ao longo do século XVI. Os restantes, fruto de novas ficções, cujas
personagens provêm dos Envagelhos, são, por grande parte da crítica, classificados como
pertecentes ao Romanceiro dos Milagres. É este o caso de O Rei e a Virgem
Romeira. Contudo, este tema parece proveniente da divinização de uma balada
recolhida da Suécia e que chegou à Península Ibérica através de textos franceses ou
franco-provençais. O tema da balada sueca é em tudo idêntico ao do romance peninsular,
exceptuando a personagem principal que era uma pastora e não a Virgem Maria, derivando
dessa circustância o final distinto: enquanto que no texto escandinavo a balada conclui
com um casamento, no romance ibérico, como é óbvio essa boda torna-se impossível. Este
romance, em Portugal, foi recolhido apenas em Trás-os-Montes e a versão aqui gravada
procede do Romanceiro Português de Leite de Vasconcellos, Vol. II (Coimbra 1960, p. 324) |
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- Oh que linda rosa branca
naquele claro passeia! El-rei estava à janela, logo se namorou dela.
- Mal parece uma menina andar só por esta terra.
- Mais mal parece a el-rei baixar-se a falar com ela; mas eu não venho sozinha, meu
marido atrás queda. Voltou el-rei pró palácio, nem comera, nem bebera.
- Que tendes, ó senhor rei, que agonizado stivera?
- É por aquela menina que naquele claro se queda. Alto! Alto! Meus criados, ide lá em
busca dela! Nem por ouro, nem por prata não vos venhais cá sem ela. Correram doze mil
léguas sem acharem a donzela; acharam-na penteando debaixo de uma oliveira. Coo
lustre do seu cabelo a oliveira amadurera, e com a luz dos seus olhos todo o mundo
esclarecera!
- Deus a guarde, ò menina, Deus a guarde ò donzela. Somos criados del-rei,
mandados a muita pressa: Nem por ouro, nem por prata nos fôssemos lá sem ela.
- Alto, criados del-rei, Deus vos leve à vossa terra! Dizei lá ao vosso rei que
não é quem elcuidera. Sele é rei dos seus vassalos, eu sou do Céu e da
Terra.  |
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As bodas em Paris |

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Encontra-se documentado este romance de malcasada, de
forma muito fragmentária, no Cancionero de romances de Antuérpia de 1550, na Tercera
parte de Ia Silva de varias romances de Saragoça de 1551 e na Rosa de Amores de Joan
Timoneda, publicado em Valência em 1573, para além de se conhecerem também versões em
folhetos de cordel quinhentistas (C£ os números 687, 690 e 870 do Nuevo diccionario
bibliográfico de pliegossueltos poéticos Siglo XVI de Antonio Rodríguez Moñino,
edição corrigido e actualizada por Arthur L.- E Askins e Victor Infantes, Madrid,
Editorial Castalia, 1997), Na tradição oral moderna, o romance é conhecido em Portugal,
Galiza, e na tradição dos judeus sefarditas. Os desenlaces são diferentes: a tradição
judia oriental termina com a fuga do conde; a galega, na única versão coligida, finaliza
com a constatarão da fuga dos amantes; por fim, a tonalidade burlesca evidencia-se na
tradição dos judeus de Marrocos sendo acentuada na portuguesa. A presença deste tema,
em Portugal resume-se a Trás-os-Montes onde se recolheram somente 4 versões - A lição
aqui gravada foi publicado no Romanceiro Português de Leite de Vasconcellos, vol. 1
(Coimbra 1958, p. 462). |
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- Em França vi uma dança e
outra em Valhadolid.
- Que queres tu, ó bom conde ? Conde, que queres aqui ? Tu ou vens por ver a dança ou
vens por me ver a mim.
- Não banho por ber a dança, que outra mais guapa já bi; Venho por ver o teu corpo tão
gigante e tão gentil
- Leva-me daqui, ó conde, conde, leva-me daqui.
- Tanbo medo ao teu marido, que me mate já ali.
- O meu marido, ó conde, longes terras 'stá daqui.
Lá no meio, do caminho,- seu marido vinha ali.
- Que levas aí, ó conde, conde, que levas aí ?
- Levo uma pastorinha que achei a dormir p'r'ali.
Estando nestas razões, caíra-lhe o chapelim.
- E esse chapelim, ó conde? - Dinheiro custou-me a mim.
Leva-a tu, por esta noite; amanhã trai-a m'aqui.
Levou-a no Mês de Maio, trouxeras no mês dAbril.
Levara-a, ele vazia, trouxeras para parir.  |
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Sérgio Godinho
Sérgio Godinho partiu de Portugal com 20 anos por motivos
políticos, regressando apenas depois do 25 Abril, tendo entretanto realizado em França
(no exílio) alguns trabalhos aclamados pela crítica. A partir daí, os seus 25 anos de
carreira de cantor, compositor e autor, resultou em 15 albuns, centenas de espectáculos,
inúmeros trabalhos em bandas sonoras, recebeu vários prémios.
O Sérgio Godinho define-se a ele próprio assim: Sou um músico. E na música,
englobo as palavras nesse aspecto, sou um poeta, englobo o estar num palco e
nesse aspecto, sou um cantor; e sou também um compositor, porque faço melodias e ritmos
a partir de coisas que vou escolhendo. Um músico usa tudo, as palavras, o palco, não
consigo separar... |
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