Fundão
IV Encontro Nacional de Gaiteiros
Fundão, 18
e 19 de Setembro de 2004
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Fonte: www.gaitadefoles.net
Nos dias 18 e 19 de Setembro irá decorrer a 4ª Edição
do Encontro Nacional de Gaiteiros - reunindo mais de 150 músicos de várias gerações -
um evento inserido no festival Caminhos da Transumância e organizado pela Associação
Gaita de Foles.
Trata-se de um evento único que acolhe gerações de gaiteiros de todo o país,
do Minho, Trás-os-Montes, Coimbra, Litoral centro, Estremadura e Península de Setúbal,
para dois dias de redescoberta de uma parte da cultura portuguesa, ainda quase
desconhecida. O tema forte deste ano são os instrumentos do Ciclo Pastoril - onde se
insere, claro, a Gaita-de-fole.
Gaita-de-foles?
É comum, ainda hoje, que as pessoas associem imediatamente "gaita-de-foles",
com a Escócia. Na verdade, a gaita-de-fole é um instrumento com muitas variantes em todo
o mundo, que não se resume apenas à gaita escocesa, tal como é popularizada nos meios
de comunicação. Em toda a Europa podem encontrar-se instrumentos desse género, com
muitas afinações, formatos e modos de tocar, muito diferentes entre si - e que no
entanto, pertencem à mesma família de instrumentos musicais: as gaitas-de-fole.
Em todo o mundo há centenas ou mesmo milhares de tipos diferentes: na França,
Alemanha, Espanha (na Galiza, Catalunha, Astúrias, Aragão, etc) Reino Unido, nos países
do Leste da Europa, também na Túnisia e Argélia, ou no Sul da Itália, na República
Checa ou na Suécia, para citar apenas alguns exemplos. Em Portugal, também existem
instrumentos do mesmo género, e com formas bem portuguesas, únicas em todo o mundo.
Portugal: Contributo para a
diversidade
A gaita-de-fole é um instrumento profundamente enraízado na cultura e música
portuguesas. Desde a fundação da nacionalidade, em pleno período medieval, existem
numerosos testemunhos e documentos que nos falam de gaiteiros e de gaitas de fole como um
instrumento muito popular e amplamente distribuído por todo o espaço nacional.
É sobretudo a partir do século XVIII que o instrumento conhece o seu declínio, com a
implantação de novos instrumentos e práticas musicais e o abandono progressivo da
gaita-de-fole.
Hoje, pouca gente considera este instrumento como "típicamente
português" e no entanto, muitos habitantes das nossas cidades lembram ainda o
gaiteiro nas festas dos espaços rurais dos pais ou avós, nas memórias difusas da
infância e dos momentos das férias passadas "na terra", marcas da passagem
acelerada de uma sociedade rural para um país industrializado e urbano.
E no entanto, ainda existem gaiteiros. E muitos, sobretudo no espaço rural,
continuam a tocar e a construir instrumentos que chamam a atenção de etnógrafos tão
conhecidos como Michel Giacometti, Ernesto Veiga de Oliveira, entre tantos outros. É
importante apontar para o facto de que muitos estudiosos e gaiteiros estrangeiros
consideram importantíssimo que Portugal descubra a riqueza que ainda tem nesse
instrumento - que os surpreende e lhes traz novos dados sobre a sua provável história.
Uma riqueza e diversidade surpreendente, de Gaitas no Minho, no litoral oeste e
nos Círios da Estremadura e península de Setúbal a sul do Tejo, Gaitas Transmontanas no
noroeste e planalto mirandês, Gaitas de Coimbra, que se podem encontrar nas aldeias em
redor dessa região. E muitos gaiteiros, construtores e músicos, que são em algumas
regiões, figura central dos festejos sazonais: "não há festa sem gaiteiro".
À imagem de outros países, também Portugal tem gaitas-de-fole, quase desconhecidas para
o grande público - mas tão ricas e tão importantes como aquelas que se tocam na
Escócia, Bulgária, França ou Turquia.
Encontro Nacional de Gaiteiros
O Encontro de Gaiteiros traz todos esses músicos para um encontro à volta da sua música
e dos seus instrumentos e também para junto de um público que pode assim descobrir a
variedade e a riqueza do instrumento e dos seus tocadores, ainda relativamente
desconhecida. Este é, de resto, um festival desenhado à imagem de muitos outros que
acontecem por toda a europa, em países onde a gaita-de-fole tem uma representatividade
social de grande importância.
As três edições anteriores trouxeram momentos de surpresa para muitos;
gaiteiros que se julgavam sozinhos e os últimos da sua arte descobriam com entusiasmo a
vitalidade do instrumento por todo o país, trocavam experiências, repertório, truques e
técnicas do ofício entre gaiteiros.
Mas sobretudo, transmitiam os seus conhecimentos a uma nova geração de
gaiteiros, a mesma que organiza estes encontros, lê e ouve publicações etnográficas,
frequenta festivais relacionados com a música tradicional e gaitas-de-fole e vive
afastada dos contextos rurais da tradição.
A edição deste ano contará com a presença de perto de 150 participantes,
oriundos do Minho, Trás-os-Montes, Estremadura, Coimbra, Litoral Oeste e Península de
Setúbal - praticamente todo o país estará representado.
Exposição: Um Mundo de
Gaitas
Para além dos concertos e convívio entre o público e os gaiteiros de todo o país, este
Encontro de Gaiteiros é também uma oportunidade didáctica. Ao longo de todo o encontro
estará patente uma exposição de Gaitas-de-fole de todo o mundo, salientando a variedade
e diversidade do instrumento, no seu contexto europeu e asiático, norte-africano,
mediterrânico ou mesmo escandinavo - e claro, o contexto português. Aliás, a tónica de
todo o Encontro é essa: salientar o contributo único das Gaitas e dos Gaiteiros de
Portugal, para a grande diversidade de instrumentos do género em todo o mundo.