Coimbra
Festival José Afonso
"Zeca, nós e os Vizinhos"
Coimbra, Teatro Gil Vicente, de 29 de Maio a 3 de
Julho 2001 (3ªs Feiras)Coimbra
acolhe pela sétima vez o festival bienal de música com o nome de um dos mais ilustres
filhos da cidade: Zeca Afonso. O tema Zeca, Nós e os Vizinhos é o ponto de
partida para um mês de espectáculos com Paco Ibañez, Lluis Llach, Amélia Muge, Carlos
Nunez e Milladoiro, entre outros. São ao todo seis espectáculos, que dividem o palco
entre um músico português e um vindo da vizinha espanha.
O evento decorre todas as terças-feiras, entre os dias 29 de Maio e 3 de Julho. O
festival começa com Amélia Muge, que traz o seu novo espectáculo "A Monte" e
Maria Del mar Bonet, apresentando trabalhos da sua já longa carreira ligada à Música de
Intervenção. Manuel Freire, autor do tema que eternizou a "Pedra Filosofal" de
António Gedeão e Paco Ibanez, que dispensa apresentações, sobem ao palco a 5 de Junho.
No dia 12 de Junho é a vez de João Lóis e Lluis Llach, seguidos, no dia 19 por José
Medeiros, o conhecido realizador da série da RTP Açores "Xailes Negros"; e
Carlos Nuñez, que regressa a portugal, depois do seu concerto nas Cantigas do Maio deste
ano.
Dia 26 de Maio teremos Francisco Fanhais e Julio Ramos e finalmente a fechar, no dia 3 de
Julho, os Negros de Luz, um grupo de intervenção e também os galegos Milladoiro,
responsáveis por levar a música galega aos quatro cantos do mundo.
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3ª Feira, dia 29 de Maio, 21:30h
Amélia Muge
Amélia
Muge, vencedora do prémio José Afonso pelo seu último trabalho 'Taco a Taco' estreou
nos dias 4, 5 e 6 de Abril, em Almada, o seu mais recente trabalho, intitulado 'A Monte'.
Este não é ainda um trabalho discográfico, não passando por enquanto de um concerto,
porém não deixa de ser uma oportunidade única de escutar o que de melhor se faz em
Portugal, na área da música de raiz tradicional. Apesar de grande parte do espectáculo
ter como base a música, o seu núcleo reside essencialmente na escrita. Isto porque
praticamente todos os temas interpretados por Amélia são essencialmente poemas musicados
pela própria, provenientes de fontes como Grabato Dias, Fernando Pessoa, Natália Correia
ou Sofia de Mello Breyner. A escrita serve sempre como fio condutor do espectáculo, sendo
os temas, aqui e ali, interlaçados por declamações e leituras de textos destes e de
outros autores, às vezes pela própria Amélia, outras recorrendo a gravações de nomes
como José Mário Branco ou o saudoso Mário Viegas. 
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3ª Feira, dia 29 de Maio, 23:00h
Maria Del mar Bonet
Maria
del Mar Bonet nasceu predestinada a fazer aquilo que realmente lhe dá gozo. Filha de um
escritor maiorquino conceituado e de uma investigadora catalã das culturas
mediterrânicas, cedo se interessou pela língua, literatura, lendas, música, dança,
artesanato e pintura da sua região. Vive na Catalunha, mas Maiorca e o Mediterrâneo são
para Maria del Mar Bonet as suas grandes fontes de vida e de inspiração artística.
"Não me sinto filha somente de Maiorca, mas de todo o Mediterrâneo. Temos raízes
comuns com o Norte de África, Itália, Turquia e Grécia." Apesar desta visão
mediterrânica, Maria del Mar Bonet sempre cantou na sua língua nativa, o Catalão de
Maiorca. Tal facto trouxe-lhe alguns dissabores no tempo do franquismo. 
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3ª Feira, dia 5 de Junho, 21:30h
Manuel Freire
Manuel
Freire nasceu em Ovar a 25 de Abril de 1942. Um marco fundamental no percurso de Manuel
Freire foi a sua passagem pelo «Zip-Zip», em 1969, no mais famoso programa televisivo da
época. «Pedra Filosofal», um poema de António Gedeão», um belo poema, musicado e
cantado por Manuel Freire de uma forma magnífica torna-o no hino da canção de
intervenção, com a singularidade de, mais do que qualquer outra, se ter popularizado de
uma forma tal que, certamente, poderia muito bem ter sido o símbolo do 25 de Abril. E se
quase sempre escapa às malhas da censura, constitui, assim e também por isso
um êxito ímpar na história da música portuguesa. 
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3ª Feira, dia 5 de Junho, 23:00h
Paco Ibanez
"A
poesia é uma arma carregada de futuro". Gabriel Celaya escreveu e Ibañez cantou
(...) No final do ano passado, Paco Ibañez falando da sua nova "tourneé" , de
novas canções erotizadas, latino-americanas, para crianças
dos mais de
quarenta anos de carreira, explicava: "Fazer canções e mais canções é uma forma
de atirar a minha "piedra pequeña", de modo a encorajar a criatividade que
milhões de pessoas têm dentro de si. Tenho a certeza. Mesmo se sou pessimista no plano
colectivo: os políticos traíram os nossos valores; o futebol e o que eu gostei de
futebol- macdonalizou-se. O que é que sobra?
O que eu gosto mesmo, hoje, é de tudo
aquilo que me faz pensar que ainda estamos vivos: a madeira, as árvores, os amigos, a
luz, o vento, os animais, a criação". 
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3ª Feira, dia 12 de Junho, 23:00h
Lluis Llach
Cantautor
de corpo e alma, Lluis Llach é um dos impulsionadores do estilo de música de
inetrvenção, servindo de combate ao Franquismo, na vizinha espanha. Nos primeiros anos
de carreira ligado aos poemas que falavam do amor, foi-se progressivamente entregando à
canção com palavras de ferro. É autor de inúmeros discos, ao longo de mais de trinta
anos de carreira. 
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3ª Feira, dia 19 de Junho, 21:30h
José Medeiros
Embora
envolvido na música tradicional e popular desde os anos 70, José Medeiros tornou-se mais
conhecido pela realização de várias séries televisivas para a RTP-Açores
(Xailes Negros, Mau Tempo no Canal, "Balada do
Atlântico" entre outras), para as quais compôs belíssimas canções, fortemente
baseadas na tradição, reflectindo a profundidade e a nostalgia dos sentimentos ilhéus.
Recentemente redescoberto como cantor e compositor, José Medeiros pôs de pé o projecto
"Cinéfilias e outras Incertezas". No palco, dão corpo a este projecto a
música , a poesia, a voz poderosa e peculiar de José Medeiros, os músicos que
normalmente o acompanham e por vezes outros músicos convidados. 
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3ª Feira, dia 19 de Junho, 23:00h
Carlos Nuñez
Hoje
Carlos Núñez é uma estrela internacional, com tournées pela Europa, Japão, Estados
Unidos da América, que pisou os palcos mundiais sózinho com a sua banda, mas também ao
lado de outras estrelas como os Chieftains, Linda Ronstad, Ry Cooder, Sharon Shannon, Bob
Dylan, The Who, Lou Reed. Acompanhado por Xurxo Núñez na bateria e percussão, Pancho
Álvarez no bouzouki, Paloma Trigas e Begoña Riobo no violino e Jose Vera no baixo,
Carlos Núñez vai levar-nos numa viagem pelos seus três álbuns, fazendo-nos participar
também da emoção, da sinceridade e do empenho que põe e que transparecem imediatamente
para o público, sempre que sobe a um palco. Carlos Núñez não é apenas um exímio, um
dos melhores gaiteiros do mundo, ele é também um virtuoso da flauta e durante os seus
espectáculos passa de um instrumento para o outro com um à vontade e confiança que só
os grandes possuem. 
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3ª Feira, dia 26 de Junho, 21:30h
Francisco Fanhais
O
Padre Francisco Fanhais nasceu na Praia do Ribatejo a 17 de Maio de 1941. Fanhais,
torna-se o expoente máximo dos católicos progressistas, que desde a célebre carta do
bispo do Porto a Salazar em 1958, se vinham progressivamente demarcando do regime. Com
Francisco Fanhais a postura oposicionista é clara e radical, e os discos Canções da
Cidade Nova e Cantilena que grava em 1969 e 1970 são disso prova, representando trabalhos
marcantes no movimento dos cantores de intervenção. Pouco depois é obrigado a
exilar-se. Em 1993 sobe ao palco para, conjuntamente com Manuel e Pedro Barroso,
apresentar o espectáculo " Encontro", efectuados em Portugal e em França.
Entretanto continua a cantar, sempre que lhe pedem, em escolas e, sobretudo, em Festas do
25 de Abril ou em homenagens a José Afonso... 
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3ª Feira, dia 3 de Julho, 21:30h
Negros de Luz
Os
negros de luz nasceram em 1995. Os seus elementos (Juliana Telmo - soprano, Dolores de
Matos - contralto, Carlos Ançã - tenor, Carlos Cóias - baixo, António Barbosa e Paulo
Viana - violinos, Joana Moser - violeta, Carlos Faria - violoncelo, Óscar Mourão -
piano, José Carinhas - percussão e Jorge Salgueiro - direcção musical) têm formação
clássica e procuram neste projecto uma aliança entre o grande público e a música
erudita contemporânea através de uma concepção estética bastante própria onde os
elementos eruditos se cruzam com aspectos da cultura urbana contemporânea. O grupo tem
três álbuns editados: "Canções da Inquietação" - catorze canções com
música de Jorge Salgueiro sobre poemas de catorze autores portugueses do século XX;
"Intervenções" - dez canções de intervenção relacionadas com a revolução
portuguesa de 1974 e "Canções Heróicas" - dez canções com música de
Fernando Lopes Graça e poemas de autores portugueses. 
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3ª Feira, dia 3 de Julho, 23:00h
Milladoiro
Hoje
em dia deve ser raro encontrar um aficionado da música galega que não
conheça os Milladoiro. Este grupo é, sem dúvida, uma das maiores referências na
música dessa região do Norte da Panínsula Ibérica. Formado desde os seus primórdios
por elementos preocupados em conhecer e fomentar a tradição musical galega (Xosé
Ferreirós, Nando Casal e Moncho Garcia), por elementos que pesquisam a sonoridade de
instrumentos medievais (Rodrigo Romani e Anton Seoane), e por um elemento ligado à
música de camara (Xosé Mendez). A fama que foram armazenando ao longo de vinte anos de
carreira foi-lhes permitindo ser constantemente convidados a compor para alguns
acontecimentos importantes, como por exemplo o aniversário dos 500 anos da Universidade
de Santiago de Compostela. Levaram a música galega ao mundo inteiro com concertos na
América do Norte, América do Sul, Ásia, etc. Têm arriscado algumas vezes na sua
carreira, como por exemplo ao compor para uma orquestra sinfónica a suite Iacobus Magnus,
mas sempre com sucesso. O seu último registo "Auga de Maio" é um álbum em que
se pode dizer que os Milladoiro voltaram às origens. Com efeito, dos quinze temas que o
compõem, dez são tradicionais e apenas os cinco restantes foram escritos para este
álbum.