Crato
Fausto
Grande, grande é a viagem
Crato, dia 25 de Agosto de 2002, às
22:ooh
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Fausto irá apresentar-se ao vivo no Crato, no
dia 25 de Agosto, levando ao palco o espectáculo "Grande Grande é a viagem" -
um trabalho inspirado na História Trágico-Marítima de Fernão Mendes Pinto e nessa
grande aventura de descoberta de mares e continentes.
Baseando-se na música tradicional portuguesa, o compositor de
"Por Este Rio Acima" tem vindo a desenvolver um trabalho notável de
reinterpretação e recriação de ritmos e melodias profundamente ligados a um certo
imaginário Português, por vezes com o recurso a elementos musicais de outras latitudes.
O espectáculo "Grande Grande é a Viagem" compreende um
alinhamento de canções inspiradas na literatura de viagens do séc. XVI, mais
exactamente na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto e na História Trágico-Marítima e
nessa grande aventura de descoberta de mares e continentes, tomando como referência os
elementos Ar, Água, Terra e Fogo.
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| Por favor leiam estes discos
O Jornalista Viriato Teles
escreveu sobre Fausto, o seu percurso por vezes errante e a sua história na música
popular portuguesa. Neste texto parte-se à descoberta de como a música portuguesa nunca
mais será a mesma.
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Fausto Bordalo Dias nasceu em 26 de Novembro de 1948, em
pleno oceano Atlântico, a bordo de um navio chamado «Pátria» que viajava de Portugal
para Angola. Foi nesta antiga colónia portuguesa que passou a infância e adolescência e
começou a interessar-se por música. Filho de beirões, assimilou os ritmos africanos a
que juntaria, mais tarde, os das suas origens lusas.
O primeiro grupo de que fez parte chamava-se Os Rebeldes e
cultivava, naturalmente, a música pop da altura. Em 1968, com 20 anos, fixou-se em Lisboa
para iniciar os estudos universitários (é licenciado em Ciências Sócio-Políticas e
frequentou um mestrado de Relações Internacionais) e foi no âmbito do movimento
associativo que se revelou como cantor, aproximando-se rapidamente do movimento que já
integrava então nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire ou
Vieira da Silva juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no
exílio e que teve um importante papel político e cultural na resistência aos
últimos anos do fascismo e no processo revolucionário iniciado com o 25 de Abril de
1974.
É impossível dissociar o seu nome de discos tão fundamentais da
música portuguesa contemporânea como «Por Este Rio Acima», «O Despertar dos
Alquimistas», «Para Além das Cordilheiras», «A Preto e Branco» ou «Crónicas da
Terra Ardente». Com Fausto, é toda uma viagem pelo universo dos sons, da memória
colectiva, do sentir mais profundo que nos une enquanto comunidade(s).
Com 12 discos gravados desde 1970 (dez de originais, uma
colectânea regravada e um disco ao vivo), Fausto é presentemente um dos mais importantes
nomes da música em geral e da música popular portuguesa em particular. E é, sobretudo,
um inquestionável grande poeta da música. (Excerto
de um texto de Viriato Teles)