Opinião
Ídolos na SIC
A nação da má língua
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. .Talvez os telespectadores do
"Ídolos" pensem que as personagens que são diariamente atacadas por um juri
"mal criado", sejam fruto de um "casting" de apanhados e tudo aquilo
não passe de uma encenação... Só que, afinal, a brutalidade é mais real do que se
imagina.
Temos vindo a assistir na SIC a um péssimo espectáculo comoventemente hediondo
- finalizado muitas vezes pelo choro em público dos concorrentes e um desabafo em tom de
frustração, pouco passageira. Para muitas daquelas personagens da vida real, fica-se sem
perceber para que serve toda aquela destruição gratuita; de sonhos de artistas, na
bitola de simples adolescentes.
Telvez
valha a pena recordar o quanto a estação de Carnaxide tem tido a habilidade de descer
mais baixo do que o inimaginável. Em tempos, "O bar da TV" levou à antena um
dos espectáculos mais tristes da história da televisão, degradando a imagem da
estação, ao ponto disso ter dado uma ajudinha ao declínio do próprio Emídio Rangel -
o mesmo homem que antes havia deixado "escapar" o Big Brother para a TVI.
Só que, apesar de tudo, o Big Brother (que agora vai na 4ª edição) é um
conceito de interesse muito discutível, mas recorre a maiores e vacinados - que oscilam
entre um ócio confragedor e alguns rasgos de criatividade, provocados pelos desafios da
produção. Isto tudo apimentado com uns palavrões, conversas inúteis, paixonetas e umas
quantas intimidades imaginadas à câmara escura. Goste-se ou odei-se, só é - quanto
muito - uma enorme perda de tempo.
O "Ìdolos" acaba por ser mais do que um programa de mau gosto
irreverente - em roptura com o lado humano da televisão. Isto, numa altura em que
"paradoxalmente" a "Operação Triunfo" vai ganhando dimensão
nacional, muito por conta de ser positivo e, sobretrudo, didáctico.
Este programa da SIC é um dos piores lixos televisivos de sempre, por apostar
no ataque aos sonhadores, quase todos adolescentes - transformados aqui em presa fácil e
gratuíta, para um gozo sombrio e doentio.
Para além de ídolos de pacotilha, o país fica-se por um elogío à simples e
"prazeirosa" maldicência - onde destruir é o mais fácil. Felizmente, para
evitá-lo, basta mudar de canal.