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Rão Kyao e Antonio Chainho

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Agenda

Dias 29, 30 e 31 de Janeiro 2004
Lisboa

Forum Lisboa
ENCERRAMENTO

Dia 5 de Fevereiro 2004
Abrantes

Cine-Teatro S. Pedro
Espectáculo originalmente marcado
para 27 de Janeiro

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Contactos
Reyfado

Carmo Cruz
e-mail: carmocruz@uguru.net
Telefone: +351 96 953 17 45

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Arquivo Agenda

Novembro 2003
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Dia 28 Coimbra
Teatro Académico Gil Vicente
ESTREIA


Dezembro 2003

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Dias 6 e 7 Viseu
Teatro Viriato

Dia 10 Porto
Rivoli Teatro Municipal

Dia 12 Alcácer do Sal
Auditório Municipal

Dia 21 Viana do Castelo
Teatro Sá de Miranda



Janeiro 2004
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Dia 10 Tavira
Cine Teatro António Pinheiro

Dia 11 Setúbal
Fórum Luisa Todi

Dia 16 Figueira da Foz
Centro de Artes e Espectáculos

Dia 18  Famalicão
Casa das Artes

Dia 19  Leiria
Teatro José Lúcio da Silva

Dia 22 Aveiro
Teatro Aveirense

Dia 23 Stª Maria da Feira
Europarque

Dia 24  Braga
Grande Auditório - Centro de Exposições


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Digressão
Kyao & Chainho
Uma casa portuguesa
Digressão Nacional, de 28 de Novembro 2003 a 5 de Fevereiro 2004
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Mais de dois meses é o tempo que Rão Kyao e António Chainho vão dedicar a uma mega-digressão por todo o país - apresentando um espectáculo de cruzamento de duas fortes personalidades musicais e das muitas influências da música dos portugueses.

Partindo da ideia de reunir em palco dois dos maiores representantes do universalismo da música portuguesa, surge uma das mais interessantes propostas musicais para os próximos dois meses: Rão Kyao e Antonio Chainho, acompanhados por António Pinto e Marta Dias, irão percorrer o país com o espectáculo "Uma Casa Portuguesa".

António Chainho e Rão Kyao já tiveram, de resto, oportunidade de experimentar alguns cruzamentos, precisamente com a ideia de construir cenários à volta do fado e as suas múltiplas facetas - próprias de uma música que habitava portos de partida e chegada, os mesmos que permitiam transpor todas as fronteiras.

Assim viajou o fado nas suas influências. Assim também viajaram estes dois músicos ao longo das suas carreiras, tendo ambos explorado novos sentidos para a música portuguesa - em muitos casos revisitando a origem das suas próprias influências.

Ao longo da sua carreira, Rão Kyao tem-se distinguido pela sua persistente vontade em redescobrir o Oriente. Fazendo uso da flauta de bambu e do saxofone, ele foi encontrando inspiração na música indiana, árabe, chinesa e africana, restabelecendo assim o elo perdido entre a tradição musical portuguesa e o Oriente.

Os 16 álbuns que editou até hoje indiciam de uma forma muito clara a intenção expressa de, a cada passo, redescobrir as raízes da música tradicional portuguesa, não temendo, antes pelo contrário, o confronto com as suas fontes primordiais: a música indiana e a música árabe.

A primeira assume especial importância nos primeiros anos da sua carreira, quando edita os álbuns «Malpertuis» (1976), «Bambu» (1977), «Goa» (1979) e «Ritual» (1982). Álbuns que impõem Rão Kyao como a mais importante figura do meio jazzístico português, ao mesmo tempo que não deixa de assumir o seu fascínio pela música indiana, capaz de o levar a fixar-se em Bombaim durante alguns meses.

Rão Kyao só veio a conhecer o êxito comercial durante a década de 80, quando os seus discos conquistavam, invariavelmente, galardões de ouro e platina. Primeiro com «Fado Bailado» (1983), onde juntamente com o mestre da guitarra portuguesa António Chaínho revia alguns dos mais consagrados temas da canção urbana de Lisboa à luz do saxofone, deixando patente a influência da música árabe no fado. Depois com «Estrada da Luz» (1984) e «Oásis» (1986), álbuns onde voltou à flauta de bambu para mostrar as afinidades entre a música tradicional portuguesa e a música indiana.

O repetir do percurso dos navegadores dos Descobrimentos, levou-o até ao Brasil, onde gravou o álbum «Danças de Rua» (1987), fortemente inspirado na riqueza rítmica da música nordestina. O folclore português seria explicitamente abordado em «Viagens na Minha Terra» (1989), regressando ao fado em «Viva o Fado» (1996). Ainda antes, Rão Kyao tinha cruzando a música portuguesa com o flamenco dos espanhóis Ketama, em «Delírios Ibéricos» (1992). Nos anos noventa, editou também os álbuns «Águas Livres» (1994) e «Navegantes» (1998).

A ligação da música portuguesa ao Oriente e, mais especificamente, a Macau, tinha já sido abordada por Rão Kyao no álbum «Macau ao Amanhecer» (1984), de acordo com o mote proposto de relatar a presença portuguesa naquele território em termos musicais. Macau volta a ser o pretexto para o novo álbum de Rão Kyao, «Junção», desta vez acompanhado pela Orquestra Chinesa de Macau. Os arranjos do maestro e director artístico Wong Kin Wai são de uma simplicidade e eficiência reveladoras, enquanto a flauta de Rão Kyao redesenha paisagens em temas intitulados «Coloane», «Taipa», «Macau» ou « São Paulo».

A música tradicional portuguesa, e também o fado, voltam a estar presentes, descobrindo-se aqui e ali enredadas na música chinesa. Estas são composições musicais que não enjeitam o silêncio, nem uma ideia de paz que se destina, muito simplesmente, a celebrar a vida.

Por seu lado, António Chaínho tem sido incansável na divulgação da guitarra portuguesa. Há mais de quarenta anos começou a acompanhar os grandes do fado, fazendo a guitarra gemer ao lado de gente como Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Tony de Matos ou Carlos do Carmos. Mas hoje ele é, incontestavelmente, o grande embaixador da guitarra portuguesa, e um artista em nome próprio capaz de lhe oferecer novos mundos.

Alentejano de Santiago do Cacém, marcou o início da sua carreira a solo com alguns EP, ainda nos anos sessenta. O seu primeiro álbum a solo, “Guitarra Portuguesa” (1980), já publicado pela Movieplay, apenas deixava antever uma carreira marcada pela composição de temas originais para guitarra portuguesa, destinados a fazer a ponte com outros lugares e outros tempos.

Já durante a década de noventa (1996), gravou nos estúdios Abbey Road, em Londres, um álbum em que, enquanto solista, era acompando pela Orquestra Filarmónica de Londres. Um passo maior teria lugar quando foi convidado para participar em “Onda Sonora” (1999), colectânea da série Red Hot em que emparceirava com Filipa Pais e kd lang. Chaínho era o artista com mais participações e o virtuosismo e sensibilidade do seu trabalho com a cantora country norte-americana chamou mesmo a atenção de alguns dos mais prestigiados músicos de Nova Iorque.

Bruce Swedien (até aí envolvido na gravação de vários álbuns de Michael Jackson) produziu então um álbum em que a guitarra portuguesa de António Chaínho brilhava ao lado de alguns dos mais requisitados músicos da “downtown” e de cantoras como Teresa Salgueiro, Elba Ramalho, Nina Miranda, Ana Sofia Varela, Filipa Pais e Marta Dias. Em Portugal, o disco conquistou o galardão de ouro (mais de vinte mil cópias vendidas). Lá fora, a guitarra portuguesa ganhava um divulgador sem par com a edição de “A Guitarra e Outras Mulheres” (1998).

Próxima estação: Brasil. “Lisboa-Rio” (2000) levava de novo António Chaínho ao encontro de uma antiga paixão. Juntamente com Celso Carvalho gravou um álbum em que as vozes cabiam, desta vez, a cantores brasileiros como Ney Matogrosso ou Virgínia Rodrigues. O reportório, escolhido entre originais e clássicos da música brasileira, revelava, a um mesmo tempo, o brilho do Rio de Janeiro e a genuinidade das vielas de Lisboa. Um disco único, sobretudo pela forma natural, subtil e desenvolta através da qual elementos dispersos foram mais uma vez reunidos. Uma ponte que continuou a revelar-se seminal: Adriana Calcanhotto chamou Chaínho para junto de si durante a última digressão que levou a cabo em Portugal. Maria Bethânia convocou-o para espectáculos no Rio e em São Paulo e e os concertos em Terras de Vera Cruz sucederam-se.

Em Portugal, o tenor José Carreras não o dispensou num grande concerto no Pavilhão Atlântico e o passo seguinte só podeia ser o regresso ao Centro Cultural de Belém, onde António Chaínho gravou, no passado mês de Janeiro, um álbum ao vivo. Acompanhado por dois músicos brasileiros radicados em Portugal (Eduardo Miranda e Tuniko Goulart) e pela cantora Marta Dias, que já se tinha distinguido em “Fadinho Simples”, Chaínho ergueu um novo marco na divulgação da guitarra portuguesa. Voltar ao Topo

 

 

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