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Rokia Trairé

Sines
Músicas do Mundo em Sines
A jovem maturidade

Sines, de 29 a 31 de Julho de 2004
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Está de regresso um dos mais prestigiados festivais de músicas do mundo - nascido em Sines há seis anos e que conquistou o maior dos respeitos entre os aficcionados das músicas de raiz tradicional. Este ano o cartaz é recheado de toda a diversidade musical.

A edição de 2004 do Festival de Músicas do Mundo de Sines conta com a presença da Ronda dos Quatro Caminhos; Warsaw Village Band da Polónia, a grega Savina Yannatou; David Murray Creole Project III com Pharoah Sanders EUA e Guadalupe; Tom Zé do Brasil; Septeto de Roberto Juan Rodriguez vindos dos EUA e Cuba; Rokia Trairé, do Mali; e finalmente Femi Kuti da Nigéria.

Um programa a apostar na diversidade global, trazendo até a cidade litoral alentejana algumas das propostas na vanguarda das músicas do Mundo.

29 de Julho (quinta)
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Ronda dos Quatro Caminhos
Portugal

É o projecto mais ousado alguma vez levado a cabo tendo como ponto de partida a tradição do cante alentejano. Juntando no mesmo palco seis grupos corais (Moura, Campo Maior, Évora, Serpa, Baleizão e Aldeia Nova de São Bento), uma orquestra de 45 elementos (Sinfonietta de Lisboa) e os músicos da Ronda dos Quatro Caminhos, “Terra de Abrigo” (cujo disco homónimo foi lançado em 2003), será um espectáculo para a história do Festival Músicas do Mundo e da música do Alentejo. A música clássica encontra a música popular e o resultado é uma beleza grandiosa mas sem pompa, é a sofisticação das formas, mas sem artificialismo. Pelo seu próprio peso, o roteiro de apresentação ao vivo de “Terra de Abrigo” tem sido seleccionadíssimo. Sines, obviamente, não podia ficar de fora.
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Warsaw Village Band
Polónia

A BBC Radio3 considerou-os o melhor novo grupo a surgir no circuito da world music no último ano. Com uma abordagem à música tradicional semelhante a grupos escandinavos como os Hedningarna (que trouxeram a Sines milhares de jovens de todo o país em 2002), vão buscar às raízes o que nelas há, na origem, de mais excitante e moderno. É música das aldeias polacas para o público da aldeia global, três rapazes e três raparigas que usam vozes, cordas e poderosíssimas percussões para criar um concerto em que o convite à dança é permanente. Orgulhosamente acústica, criadora do estilo “bio techno” (ou “hardcore folk”), a Warsaw Village Band tem tudo para proporcionar um dos mais vibrantes concertos jovens do festival.

30 de Julho (sexta)
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Savina Yannatou
Grécia

Poucas cantoras europeias da actualidade terão tanto prestígio quanto a grega Savina Yannatou. Com formação na música antiga, Savina tem-se vindo a aproximar da música tradicional através de uma abordagem que deve muito à sua formação erudita, mas também ao jazz mais vanguardista e às técnicas de improvisação. Acompanhada pela sua banda, “Primavera en Salonico”, desde 1993, Savina tem reunido um repertório baseado nas riquíssimas tradições da música mediterrânica, da Grécia à Espanha, de Israel à Itália, da Sardenha ao Magrebe. Oriente e ocidente encontram-se na sua voz de recursos e expressividade únicos, mas também na rica instrumentação da sua banda. É difícil conceber uma música mais refinada. » Foto de alta resolução.
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David Murray Creole Project III com Pharoah Sanders
EUA e Guadalupe

Sexta-feira vai ser, definitivamente, um dia dos grandes. Depois de Savina, um mito do jazz mundial, Pharoah Sanders, integrado no projecto Creole III, de David Murray. A última vez que Sanders e Murray colaboraram, em 1988, o resultado foi um Grammy. Desta vez, o pretexto é um projecto que funde as estruturas harmónicas do jazz com os ritmos do “Ka Drum” de Guadalupe (Índias Ocidentais Francesas) e a riqueza do falar crioulo. Companheiro de John Coltrane na sua fase mais “free”, Pharoah tem um dos saxs tenores com mais personalidade da história do jazz. E David Murray é o músico emocionante que se conhece. Música composta, improvisação e muita empatia entre gigantes, vão decerto criar este ano mais momentos de ouro da passagem do jazz world por Sines.
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Tom Zé
Brasil

A figura mais misteriosa e radical do movimento tropicalista brasileiro vem ao Festival de Sines. Companheiro (e fonte de inspiração) de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethania e Gal Costa, o extraordinário Tom Zé raramente sai do Brasil e vai ser um privilégio trazê-lo a Portugal (onde só tinha estado antes na Expo’98 e para um pequena actuação). Musicalmente experimentalista e com textos irónicos e altamente politizados, nunca foi um artista de massas. Nos últimos anos, muito por graça de David Byrne - que fez dele o primeiro artista da sua editora Luaka Bop -, o público e as melhores salas de todo o mundo, têm-se aberto à sua música singular. A revista Rolling Stone considerou a sua antologia lançada nos EUA um dos 10 melhores discos dos anos 90. Lúcido, criativo e irreverente, o concerto de Tom Zé será, mais do que um espectáculo musical, um experiência cultural completa.

31 de Julho (sábado)
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Septeto de Roberto Juan Rodriguez
EUA e Cuba

O que faz um percussionista cubano que não é judeu a tocar música judia? Faz música. “Danzón de Moises”, que começou por ser um disco para se tornar num projecto, é um caso de cruzamento tão inesperado quanto bem sucedido. Tanto na ilha como em Miami, Roberto Juan Rodriguez teve contacto com a comunidade judia e foi-se apercebendo dos pontos em comum entre as duas culturas e as duas expressões musicais (nomeadamente com a componente mais europeia da música cubana). O resultado foi a invenção da “salsa-klezmer” (os dois ingredientes são ligados pelo jazz), que não é a música dos judeus cubanos, mas, ao ouvir-se, parece uma destilação dos séculos. Muito humor, fortes ritmos e algumas reminiscências impressionistas vão estar juntos no concerto de Sines, que será também ocasião para a apresentação do disco “Baila Gitano Baila”, a estrear em Junho.
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Rokia Trairé
Mali

O Mali é uma das nações africanas com mais rica tradição musical. É o país-natal de grandes nomes como Ali Farka Touré ou Oumou Sangaré. E agora também pode orgulhar-se de ser o berço de Rokia Traoré, uma das mais novas estrelas da música do continente, nomeada para melhor artista africana nos prémios da BBC Radio 3 e vencedora do prémio da crítica. Com letras que abordam corajosamente os problemas da vida das mulheres na sociedade africana e arranjos de uma delicadeza comovente, que juntam instrumentos tradicionais a muito comedidos contributos ocidentais, Rokia já foi, pela profundidade e timbre sublimes da sua voz, chamada a “Joni Mitchell” africana. É uma comparação que prestigia, mas reduz. Porque Rokia é um caso verdadeiramente único na música mundial.
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Femi Kuti
Nigéria
Femi Kuti é filho de Fela Kuti, criador do movimento Afrobeat e uma das maiores figuras da música africana no século XX. Membro da banda do pai, Femi soube desde cedo evitar que o peso artístico do seu progenitor o esmagasse. E em vez de desbaratar a herança do génio de Fela através de uma imitação menor, investiu-a na criação de um percurso e de uma identidade própria. Foi assim que, por direito próprio, se tornou um dos grandes nomes da world music nos nossos dias, uma presença desejada em Sines desde os primeiros anos do festival. Um performer de energia inesgotável, a música de Femi (que canta e toca saxofone) é uma mistura dos ritmos africanos com o jazz e o funk. Ultimamente, as suas letras de alcance político e social têm encontrado novo veículo nalgumas aproximações ao hip hop. Sensual e explosiva, é a música perfeita para o encerramento com fogo-de-artifício. Voltar ao Topo

 

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