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Coimbra
I Festival Internacional de Gaiteiros
Coimbra, dia 18 e
19 de Setembro de 2004
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Nos dias 18 e 19 de Setembro, Coimbra recebe o I Festival
Internacional de Gaiteiros, contando com a participação de vários grupos vindos de
várias regiões portuguesas e também bandas oriundas das Astúrias, Galiza, Catalunha e
Bretanha.
No I Festival Internacional de Gaiteiros de Coimbra, que irá decorrer nos dias 18 e 19 de
Setembro, participam dezasseis grupos - num total de cerca de 200 músicos, onde mais de
dois terços são estrangeiros. Os grupos participantes são oriundos de norte a sul de
Portugal, bem como bandas de gaiteiros provenientes das Astúrias, Galiza, Catalunha e
Bretanha.
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Programa
Dia 18 de Setembro
8h30 Arruada em diversos pontos da cidade.
9h00 Abertura da exposição de instrumentos, livros,
discos e outros elementos relacionados com a gaita de foles.
Patente até às 18h do dia 19, na Galeria do Átrio da Casa Municipal da Cultura.
9h30 Conferência sobre a temática da gaita de foles
no mundo através dos tempos, na Casa Municipal da Cultura.
Intervenção dos especialistas Jean-Luc Matte (França), Bernard Garaj (Eslováquia),
Manuel Garrido (Galiza), Jean Pierre Van Heese (Bélgica) e Abílio Topa (Portugal).
16h00 Desfile pelas ruas de Coimbra, com início na Praça da República e fim no Largo da Portagem (passando
pela Avenida Sá da Bandeira, R. Olímpio Nicolau Rui Fernandes, Praça 8 de Maio, Rua
Visconde da Luz e Rua Ferreira Borges). Participam no cortejo cerca de 200 músicos, das
seguintes bandas: Bagad Kemper (Bretanha), Banda de Gaites Candás (Astúrias), Banda da
Escola Provincial de Gaitas Deputación de Ourense (Galiza), Banda La Sacairada
(Catalunha), Gaiteiros de Lebução (Valpaços), Os Romanos (Condeixa), Zéquimfim (Chelo,
Coimbra), Os Três Amigos (Cabouco, Coimbra), Boinas Pretas (Ribeira de Frades, Coimbra),
Os Amigos da Farra (Casal da Charneca, Soure), Flamínio de Almeida (Casal da Misarela,
Coimbra), Ls Gaiteiros D La Raia (Miranda do Douro), Lenga Lenga Gaiteiros de
Sendim (Miranda do Douro), Gaiteiros de Bila Chana de Barcenosa (Miranda do Douro),
Gaiteiros Nacionais (Minho e Porto), Grupo Anaquiños da Terra (Lisboa).
22h00 Concerto no Jardim da Sereia com breve
actuação de todos os grupos participantes no desfile da tarde. No decorrer deste, será entregue a Medalha de Mérito Cultural a
Flamínio de Almeida, fiel depositário da tradição dos gaiteiros da zona de Coimbra.
Ainda durante o espectáculo, serão entregues os prémios aos alunos da ARCA-EUAC
vencedores do concurso de ideias para a imagem gráfica do Festival.
Dia 19 de Setembro
10h00 Arruada na margem
esquerda do Mondego, com entrada dos gaiteiros no Portugal
dos Pequenitos.
10h18h Exposição de instrumentos, livros,
discos e outros elementos relacionados com a gaita de foles,
na Galeria do Átrio da Casa Municipal da Cultura.
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Bandas de Gaitas
Banda de Gaitas La Sacairada
É uma banda relativamente
jovem. Foi criada em 2000, embora boa parte dos seus elementos tenha já larga
experiência, tocando noutras formações ou a solo. Ainda assim, a banda participou já
em inúmeras festas e festivais importantes. Participou, também, juntamente com outros
grupos, no CD Músics, tonades i cançons amb Sac de Gemecs. Flabiol i
tambori. O grupo é formado por vinte músicos, tocando uma parte sac de
gemecs (a gaita catalã) e outros o Flabiol i tambori - uma flauta e um
tambor tocados pelo mesmo músico.
Zéquimfim
Chelo é também terra
tradicional de músicos, restando apenas este trio encabeçado por José Maria Craveiro
(gaita de foles), acompanhado por Joaquim (bombo) e Serafim (caixa). O grupo tem
percorrido o país animando as mais diver-sas festas e recentemen-te obteve o primeiro
lugar no Festival de Gaiteiros de Pena (Cantanhede), evento que teve objectivos de
solidariedade social.
Boinas Pretas
Luís Serralheiro (gaita),
Vladimiro Poiares (caixa) e António Pimenta (bombo). Formada há doze anos, a banda teve
origem no Grupo Folclórico Camponeses do Mondego e no grupo de música popular De Lés a
Lés. Em Ribeira de Frades, terra de grandes tradições gaiteiras, já houve
dezenas de tocadores, sendo habitual a existência de famílias que passavam a tradição
de geração em geração, como os Bernardinos, os Lapões, Chico Gato, entre outros. Um
dos mais famosos, conhecido por Zé da Gaita, terminou a sua existência mendigando em
Coimbra.
Grupo Anaquiños Da Terra
Este grupo formou-se em
Janeiro de 1965 na Xuventude de Galiza-Centro Galego de Lisboa para recriar e reviver os
cantares e, mais tarde, a música e as danças tradicionais galegas. Ao longo destes anos
tem actuado nas mais diversas circunstâncias (Embaixada de Espanha, casinos, festivais de
folclore, estações de televisão portuguesa e galega, instituições de solidariedade
social), sempre com o intuito de divulgar o folclore galego em Portugal.
Os Amigos da Farra
Grupo composto por Manuel
Pereira Antunes (gaita de foles), José Costa Diogo (caixa) e João Santos Alves Rei
(bombo), formado em 1993. O líder do grupo, Manuel Antunes, iniciou-se na música tocando
acordeão, comprando a primeira gaita em 1992 e fazendo a primeira actuação na
inauguração do abastecimento de água à aldeia de Pouca Pena. A banda tem actuado nas
mais diversas situações, incluindo o baptizado do filho mais novo do herdeiro ao trono
de Portugal, na Sé do Porto, e na inauguração da Bolsa do Comércio (Expo 98).
Banda da Escola Provincial de
Gaitas de Ourense
Composta por cerca de 40
elementos, tem origem na prestigiada escola donde provém a Real Banda de Gaitas da
Deputación de Ourense, dirigida pelo Mestre Xosé Lois Foxo. Esta escola, inserida no
campus de Ourense, é famosa em todo o mundo pelo prestígio alcançado não só pela sua
Banda principal mas, também, por todos os grandes solistas que aí se iniciaram e que
hoje são reconhecidos talentos na arte da gaita de foles.
Flamínio de Almeida
Um dos últimos gaiteiros
tradicionais da região de Coimbra, já com 76 anos de idade, iniciou-se nas lides
musicais ainda menino, com um velho flautim emprestado pelo avô (também gaiteiro),
enquanto exercia o pastoreio pelos montes e vales do Casal da Misarela. Mais tarde, com a
ajuda do pai, conseguiu que o avô lhe emprestasse a gaita de foles, tendo então
aprendido com seu tio, Hermano Rodrigues de Almeida, as primeiras modas. Flamínio de
Almeida toca, actualmente, numa gaita de foles bem característica do fabrico tradicional
da região, conforme notou Michel Giacometti chamando-lhe instrumento
cantante, com as costumadas e saborosas anomalias tonais.
Banda Gaites Candás
Criada em 1990 para estudo e
difusão da cultura asturiana, é formada por cerca de quarenta rapazes e raparigas.
Acompanha frequentemente o célebre gaiteiro asturiano Hévia, integrando a chamada
Bandona de Astúrias, composta por quatro diferentes bandas. Chegará a Coimbra justamente
após participação numa dessas actuações.
Os Romanos de Condeixa
Diamantino Salgado, construtor
de instrumen-tos e gaiteiro de Alfabar, está na origem deste gru-po, originário da
aldeia de Traveira. Manuel Pedro (gaita de foles), iniciou-se na música em criança,
tocando pífaro mas rapidamente se interessou pela gaita, tendo como mestre o citado
construtor, de quem guarda como relíquia uma velha gaita. Há cerca de seis anos,
constituiu com Gil Ramos (bombo) e José Carlos (caixa) o presente grupo.
Lenga Lenga
Gaiteiros de Sendim
Grupo com a formação típica
de Sendim, recolhendo e recri-ando temas tradicionais. Tem como registos fonográficos os
CDs Lenga Lenga Gaiteiros de Sendim ao vivo no IV Festival Intercéltico de
Sendim e Povo Que Canta-Recolhas etnográficas num Portugal desconhecido
(2000/2003). É composto por Henrique Fernandes (gaita de foles), David da Liberdade
Jantarado (caixa) e Raul Martins (bombo).
Gaiteiros de Bila Chana de Barcenos
Composto por Abílio Topa
(gaita de foles), Henrique Fidalgo (bombo) e Benjamim Monteiro (caixa), o grupo tem
participado nas festas tradicionais de Miranda do Douro, nos Encontros Nacionais de
Gaiteiros de Santa Maria da Feira e em transmissões televisivas. Preocupa-se em manter a
tradição musical da terra de Miranda, para o que conta, por exemplo, com a memória de
seu tocador de bombo que tem já 82 anos. Abílio Topa dedica-se ao estudo e ensino da
música tradicional mirandesa. O reportório baseia-se nas várias funcionalidades do
mesmo (alvoradas, peditórios, procissões, de acompanhamento dos pauliteiros, música de
baile). Participaram em diversas gravações fonográficas e tiveram actuações em
Espanha e França.
Gaiteiros Nacionais
Toni Ribeiro, originário de
Valpaços e filho do famoso gaiteiro transmontano José Benedito, é também profissional
de actividades circenses e construtor de gaitas, quer portuguesas quer galegas, sendo um
prestigiado mestre nesta matéria. Gaiteiro desde jovem, percorreu o país, antigas
colónias e estrangeiro, tendo participado em múltiplas gravações fonográficas com
outros artistas, por exemplo com Neca Rafael ou Tonicha. Residente no Porto, tornou-se num
dos tocadores mais prestigiados da área do Norte litoral, transmitindo a sua arte aos
filhos e família em geral.
Ls Gaiteiros
D La Raia
Criado por Aureliano Ribeiro,
respeitada e prestigiada figura da terra de Miranda, Célio Pires, Luís Preto e José
Manuel Torrado nos anos 90 do século passado, foi este grupo posteriormente alargado
contando actualmente com oito elementos. As suas actuações realizam-se sobretudo nas
festas tradicionais da Terra de Miranda, mas também por todo o país. Defensor duma
tradição mirandesa com influências castelhanas, o grupo integrou o espectáculo Raízes
Rurais Paixões Urbanas, produção do Teatro Nacional de S. João/Cité de la Musique,
apresentado em 1997, com direcção musical de Mário Laginha e direcção cénica de
Ricardo Pais . Aureliano Ribeiro tem, também, em sua casa uma oficina de artesanato onde
confecciona trajes tradicionais mirandeses.
Os Três Amigos
Da aldeia de Cabouco, este
grupo é composto pelo gaiteiro Fausto Rodrigues Rosa, José Natunes (bombo) e Luís
Vieira (caixa), sendo um exemplo típico das formações mais populares da região de
Coimbra .
Bagad Kemper
A bagad (banda de
gaitas de foles, em bretão) é uma das formas mais antigas da música bretã. Existem
dezenas de bagads e a tradição é de eleger em concurso a melhor do ano. A
Bagad Kemper está desde 1968 na primeira categoria e já ganhou o título por dezasseis
vezes, o que é um record. Nascida nos anos 50 do passado século, é herdeira do rico
património dos diferentes territórios bretões, sendo um grupo instrumental de cerca de
40 elementos divididos por três secções: gaitas de foles, bombardas e percussões. A
sua originalidade tem levado a que seja convidada para diversas colaborações (ex.
Percussões de Estrasburgo, Carlos Nuñez, Johnny Clegg).
Gaiteiros de Lebução
No extremo norte do concelho
de Valpaços, a um passo da Galiza, está localizada uma importante freguesia,
que dá o nome ao grupo. Uma associação local a R.C.M. fundou em 2002 uma
Escola de Gaiteiros. Assim, em 2003 nasce o grupo Gaiteiros de Lebução, composto por
cerca de 30 elementos, usando um traje de meados do século XIX e fazendo tremer o chão
com o som das suas gaitas de foles e tambores.
Conferencistas
Bernard Garaj
É um etnomusicólogo eslovaco
internacionalmente reputado, pertencendo a uma família que há cinco gerações se dedica
à gaita de foles. Natural de Nitra, uma bela pequena cidade próxima da capital, é
docente em Bratislava, no Instituto de Musicologia, da Academia de Ciências da
Eslováquia. Toca vários instrumentos, integra o grupo musical Ponitran e é
autor de Bagpipe and bagpipers tradition in Slovakia, um livro de
referência na sua área. Participa regularmente em eventos musicais e já este ano foi
convidado pela Universidade de Rauland (Noruega) como conferencista do programa anual de
eventos do Departamento de Arte e Música Folk desta instituição.
Jean-Pierre Van Hees
Importante figura da música
no seu país (Bélgica), é conselheiro artístico da Academia Internacional de Verão da
Valónia. Fez parte do grupo, já extinto, Rum. Originário de Liège, toca
gaita de foles como auto-didacta desde 1965. Em 1974 animou os primeiros cursos de gaita
de foles organizados pelo Museu Instrumental de Bruxelas. Actualmente, dá cursos em
vários países, nomeadamente no Centro de Música Medieval de Paris e na Musikhochschule
de Colónia. Toca gaita de foles e flautas em diferentes grupos, sejam tradicionais, de
tango argentino, de música antiga ou música contemporânea. É regularmente solista da
Het Orkest van de XVIIIe eeuw.
Jean-Luc Matte
Integrante do grupo
Avalanche Compagnie, é respeitada figura musical da região francesa onde
vive, a Lorena, pelos seus notáveis conhecimentos sobre a gaita de foles em particular.
Autor, com sua mulher Catherine, de um precioso trabalho de recolha de representações de
gaitas de foles conservadas em França e disponível na Internet, tem, contudo,
consciência de que o mesmo não está acabado (e está-lo-á algum dia?), prevendo,
entretanto, a sua publicação em livro no próximo ano. Jean-Luc Matte anima todos os
anos, no Festival de Saint Chartier, com Maxou e Thierry Legros, um stand de trocas de
objectos relacionados com as músicas tradicionais.
Trata-se acima de tudo de falar de gaita de foles, sanfona, violino popular ou espineta
(antigo instrumento de cordas e teclas).
Manuel Garrido
Actualmente professor na
prestigiada Escola Provincial de Gaitas de Ourense, foi, em 1998/99, com a Banda de Gaitas
Amigos do Mosteiro, de Merlón (Ourense), vencedor do grau nóvel do Campeonato da Liga
Galega de Bandas de Gaitas. Em Novembro de 2000, tornou-se presidente da Junta Directiva e
do Comité de Graduação da Federação Galega de Bandas de Gaitas. O seu trabalho tem-no
levado a participar em inúmeras conferências por toda a Espanha, assim como a docência
na referida escola o tem feito participar na formação de milhares de jovens gaiteiros na
Galiza interior e também no exterior graças à colaboração com variados centros de
cultura galega espalhados pelo mundo.
Abílio Topa
Natural de Miranda do Douro,
concluiu em 1989 o curso geral de flauta transversal, no Conservatório de Música do
Porto. Posteriormente, licenciou-se na Escola Superior de Educação do Porto, com o
objectivo de trabalhar no Ensino Musical, o que faz desde então, sendo professor do
Ensino Básico. Integrou bandas rock e orquestras e dedicou-se, também, à recolha e
estudo da música tradicional da sua terra, tendo, neste contexto, colaborado em vários
trabalhos discográficos e bibliográficos com a editora Sons da Terra. Fundou os grupos
Galandum Galundaina, Las Fraitas e, mais recentemente, Gaiteiros de Bila
Chana de Barcenosa. Em 1998, o jornal Público chamou momento histórico
à primeira vez que duas gaitas, obedecendo ao mesmo padrão de fabrico, afinaram uma com
a outra. Abílio Topa e Paulo Preto foram os protagonistas desse momento na Fonte da
Aldeia durante o Festival Rezosa
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