
Cristina Branco
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Digressão
Cristina Branco
A Música de um país à volta do Mundo
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Fevereiro 2005 Dia 26 Lisboa, Teatro S. Luis, 21:00h
Março 2005 Dia 3 Aveiro, Teatro Aveirense, 21:30h | Dia 4 Tavira, Cine
Teatro António Pinheiro, 22:00h | Dia 9 Vila
Nova de Famalicão, Casa Das Artes, 21:30h |
Dias 11 e 12 Porto, Passos Manuel, 22:00h | Dia 18 Funchal,
Tecnopolo, 22h | Dia 21 Coimbra, Teatro Gil Vicente, 21:30h
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Ulisses, o novo disco de Cristina Branco,
evoca a viagem, a aventura, a divagação, o amor, a partida, o regresso. O mito de
Ulisses podia ter nascido da Saudade portuguesa, essa nostalgia fatalista tão ligada ao
mar e às incertezas que ele gera. Em digressão Nacional.
Cada álbum de Cristina Branco contém de maneira mais ou menos
consciente o embrião do que será o seguinte: Sensus, o disco precedente da cantora
portuguesa, foi a exploração da veia erótica que tinha aflorado numa musica do opus
anterior, Corpo Iluminado.
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Do Fado espera-se que traduza o sentimento trágico da vida: o
sofrimento, a saudade e a impotêntia perante o destino. A tradição, já longa, do fado,
depositou algumas 'fórmulas' para dar voz a esses sentimentos, cuja invariável
repetição tem conduzido à delapidação desse tesouro expressivo, ao seu inevitável
esvaziamento emocional, ao sobrevoar das palavras pelos cantores. O caminho de Cristina
Branco é outro.
Sem procurar uma ruptura ingénua com a tradição, antes
procurando o que nela há de melhor (oiçam se alguns dos "clássicos" por ela
cantados), Cristina Branco revitaliza essa tradição pela autenticidade da sua
interpretação. A voz e a sensibilidade interpretativa de Cristina Branco procuram o
difícil convívio dos textos com a musicalidade do fado, tentando encontrar um caminho
expressivo que torne música e letra inseparáveis no sentir.
Nascida e criada muito longe das casas de fado de Lisboa, nada na
vida de Cristina Branco indicava que o seu destino seria o fado. Como acontece com quase
todos os jovens portugueses nascidos depois da Revolução dos Cravos, os seus interesses
musicais passavam pela canção popular, pelo jazz, pelos blues, pela bossa nova, mas não
pelo fado. No seu entender, esse era o género de uma outra geração mas as suas certezas
ficariam definitivamente abaladas no dia do seu 18° aniversário, quando o seu avô
escolheu para prenda o álbum Rara e Inédita, de Amália Rodrigues, a mais importante voz
de Portugal do século XX.
De repente, Cristina Branco descobriu toda a emoção que o género
podia conter, na sua íntima ligação entre voz, poesia e música. Pouco a pouco, a
intérprete amadora, estudante de Comunicação Social e com ambições de fazer carreira
na área do Jornalismo, começou a desenvolver a sua técnica vocal e a levar muito a
sério a nova vocação. Tal como outros jovens músicos que, desde meados dos anos 90,
encontraram no fado a sua forma de expressão, contribuindo para uma surpreendente
renovação da canção de Lisboa, Cristina Branco começou a definir o seu percurso, onde
o respeito pela tradição caminha lado a lado com o desejo de inovar.
A arte de Cristina Branco é inseparável de Custódio Castelo, seu
principal compositor e seu acompanhante, na guitarra portuguesa. A cumplicidade entre
ambos é indiscutível, e Custódio Castelo conseguiu conjugar na perfeição a
originalidade da sua música com as tonalidades e os requebros da voz de Cristina. As suas
melodias encerram em si a memória do fado, mas também sabem ir mais longe, não se
limitando ao velho desfiar dos lugares-comuns sobre a palavra saudade. A sua música é,
por vezes, triste e fatalista, mas também sabe ser alegre e luminosa, residindo nesse
balanço de atmosferas a sofisticação da sua abordagem do fado.
Se nada na vida de Cristina indicava que o seu destino seria o
fado, temos hoje de admitir que Cristina Branco está a criar um estilo: um grupo
tradicional (voz, guitarra portuguesa, viola e viola-baixo); uma voz simultaneamente leve,
quente e sentida; uma mistura de fados tradicionais, temas próprios e canções
populares, sempre com o cuidado de escolher as palavras dos melhores poetas portugueses. 
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