Lisboa
O Caminho
da Folk Americana
Lisboa, Pequeno Auditório da
Culturgest, de 10 de Janeiro a 9 de Fevereiro de 2005
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Ruben de Carvalho
A investigação musical tem preferido, nos últimos anos, a designação de roots
music para designar a vasta área de música tradicional e popular norte-americana, assim
renomeando em particular o espaço até então ocupado mais geralmente pela expressão
folk music.
A designação tem a inquestionável vantagem de integrar num mesmo
conceito a herança negra e a branca e salientar a realidade das mútuas influências
surgidas no próprio quadro da escravatura e da segregação.
Contudo, este enriquecimento só foi possível porque um longo e
acidentado percurso foi prosseguido ao longo do século XX por um vasto núcleo de
músicos e investigadores da folk music aos quais, para além da revelação do
património de origem branca da América rural, se ficaram a dever, ainda nas décadas de
30 e 40, os primeiros esforços de fixação e estudo da música negra tradicional
blues, work songs, espirituais e gospel, reportório de minstrels.
Estas figuras incontornáveis da música norte-americana foram
igualmente determinantes na protagonização e presença do fenómeno musical no
quotidiano social e político dos EUA, levando a sua influência muito além das próprias
fronteiras e gerando uma determinante componente do panorama da música e da cultura
juvenil posterior aos anos 60.
John e Alan Lomax, Pete Seeger, seu pai Charles Seeger, seus
irmãos Peggy e Mike, Woody Guthrie, Lee Hays, Moses Asch, Harold Leventhal, a editora
Folkways, os grupos Almanc Singers e The Weavers são um primeiro capítulo que
prosseguiria com o revival folk dos anos 60, o Movimento dos Direitos Cívicos e que
prossegue o seu caminho.