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Cibelle

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Dia 10 Maio 2006
Tom Zé


Dia 11 Maio 2006
Ojos de Brujo
Tinariwen

Dia 12 Maio 2006
Mundo Secreto
Macaco
Shantel DJ

Dia 13 Maio 2006
Philarmonic weed
Cibelle

Dj Dolores & Aparelhagem
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Porto
Festival Mestiço
Os cruzamentos e os seus desafios
Porto, Casa da Música, de 10 a 13 de Maio de 2006
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A casa da música recebe, entre os dias 10 e 13 de Maio, um programa repleto de mestiçagem - onde se cruzam tradições musicais com outras tendências do rock e da electrónica. Tom Zé, Cibelle e Ojos de Brujo são alguns exemplos de um cartaz de luxo.

Num mundo onde são poucas as fronteiras que persistem ao tempo, a Casa da Música abre as portas a diferentes culturas, convidando alguns representantes de países latinos e mediterrâneos que ousam cruzar, nos seus projectos, a música tradicional dos seus países de origem com as tendências do rock e electrónica contemporâneas.

Fonte: Casa da Música
Dia 10 Maio 2006
Tom Zé
Aos 70 anos, Tom Zé é considerado um dos mais importantes músicos do Brasil ao misturar, com mestria, rock, bossa nova e música tradicional. Resistente do movimento Tropicalista, Tom Zé enfrentou uma longa fase de ostracismo, na década de 80, onde parecia não haver lugar para a sua música, elaborada e invulgar.

Persistente e confiante, o músico foi descoberto pelo cantor e compositor David Byrne que considerou a música de Tom Zé "diferente de qualquer outra que ouvi até hoje. Expande incessantemente os limites da canção popular, adoptando formas inesperadas, que nos surpreendem e encantam, com percepção aguda dos acontecimentos". Rendido, o ex-Talking Heads lançou através do seu selo, Luaka Bop, uma compilação de músicas do baiano, «The Best of Tom Zé» (1990), no mercado internacional, que foi considerado pela revista «Rolling Stone» um dos dez discos da década. Quem também não ficou indiferente à sonoridade de Tom Zé foi o conceituado jornal «New York Times» que, numa critica, escreveu: "Músicas de inteligência assimétrica que desafiam tranquilamente as regras do pop brasileiro, que defendem que a música deve ser apenas agradável, com melodias equivalentes às dos seus melhores contemporâneos". Com as portas abertas, Tom Zé apostou nas digressões pelos EUA e pela Europa onde se tem apresentado nos mais prestigiados festivais de jazz e clubes de música de vanguarda. Isto levou a uma inevitável reconciliação com o seu próprio país conquistando as novas gerações de público e de artistas brasileiros.

No regresso a Portugal, à Casa da Música, Tom Zé traz o mais recente «Estudando o Pagode - Na Opereta Segrega Mulher e Amor». O jornal francês «Le Monde» considerou este registo "mais uma pérola rara do músico brasileiro" onde Tom Zé apresenta um manifesto em defesa do samba e do pagode que conta com a participação de Luciana Mello, Zélia Duncan e Patrícia Marx.

Dia 11 Maio 2006
Ojos de Brujo
O colectivo espanhol está de regresso aos originais com «Techari» (que em romeno quer dizer livre) e a passagem pela Casa da Música apresenta-se como obrigatória. Partindo de uma base de Flamenco e afins - boleros e rumbas catalãs -, os Ojos de Brujo parecem um barco à deriva por mares tão difusos quanto complementares, de funk, hip-hop, dub, reggae, à procura da rota marítima para o berço da civilização cigana (a Índia).

Dois anos depois de «Bari», que lhes valeu o Awards For World Music 2004 (prémio consagrado da Rádio BBC em Londres) e os levou a participar nos festivais mais importantes de jazz, rock e world music, como o Womad Festival (um dos maiores eventos de World Music), o Festival de Glastonbury (Inglaterra) ou o Summerstage NY (no Central Park, EUA), e os apresentou ao vivo no Japão, América Latina, África do Norte e Europa, o grupo catalão regressa com o terceiro registo onde voltam a apostar na experimentação com outros artistas e nas novas formas de expressão no Flamenco. Faada Freddy (dos senegaleses Daara J), Prithpal Rajput (Asian Dub Foundation), Nitin Sawhney, Roberto Carcassés (pianista cubano), Pepe Habichuela e Raúl Rodríguez (respeitados guitarristas de flamenco) são alguns dos convidados em «Techari». Aqui, os filhos da rumba vagabunda e do flamenco poliglota celebram a liberdade e a sensualidade da música.

Composto por Marina Abad (voz), Xavier Turull (percussao), Maxwell Wright (Percussao e beatbox), Francisco Gabas (DJ), Sergio Ramos (bateria e percussao), Ramon Giménez (guitarra), Francisco Lomeña (guitarra), Javier Martin (baixo), Susana Medina (dança), Maria José López (coros) e Andre Cruz (VJ) , este colectivo tem vindo a conseguir, desde 2000 com o álbum de estreia «Vengue» (eleito disco do ano por diversas publicações e programas de rádio), conquistar o público com uma sonoridade heterogénea que não se perde pelo seu carácter concreto, próprio e reconhecível, apesar da variedade.

Os ingredientes da sua receita musical incluem uma sensual voz feminina que canta em espanhol, ora cantora rumbera ora rapper, as virtuosas guitarras de Flamenco, a percussão variada feita manualmente e com kit de bateria e vários outros elementos, que vão desde o scratch à instrumentalização clássica indiana. Há rumba mesclada com flamengo, rock'n'roll trajado de funk e reggae que se atravessa em frente ao hip-hop. A alma cigana encontra-se bem presente na sonoridade e espectáculo dos Ojos de Brujo que teremos oportunidade de testemunhar.

Mais livres que nunca, os Ojos de Brujo superam-se em «Techari» que serve de pretexto ao regresso aos palcos do grupo que se fará acompanhar pelo trompetista Carlos Sarduy, a corista María Luna, a bailarina Susana Medina e o VJ André Cruz.

Tinariwen
Eleito o Melhor Disco de 2004 por Emmanuel Legrand, editor-chefe para a Europa da revista «Billboard», o segundo registo de originais dos Tinariwen, «Amassakoul», serve de pretexto à estreia deste grupo oriundo do deserto de Mali no nosso país. Composto por ex-rebeldes tuaregues, que chegaram a Tombuctu no final da rebelião, no início dos anos 90, de guitarra eléctrica e Kalachnikov, este grupo serve-se da sua música e poesia para expor as insatisfações em função do desrespeito da sociedade moderna através de canções originais com arranjos de guitarra actuais.

Vencedores do galardão de melhor formação world music, do continente africano, pela Rádio BBC em 2005, os Tinariwen marcaram presença no «Africa Live», festival da ONU destinado ao combate ao paludismo, que decorreu no Senegal no ano passado.

Particularmente ligados ao exílio do povo tuaregue e aos nómadas berberes do deserto do Sahara, os Tinariwen apelam à consciencialização política para problemas como o exílio, a repressão no Mali ou a extradição de pessoas da Algéria.

Partindo da tradição tuaregue, os Tinariwen deixam-se influenciar por Bob Marley ou Bob Dylan, assim como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, Nass El Ghiwane. Composto por cerca de 10 elementos, os melhores e mais famosos compositores e intérpretes da comunidade tuaregue da actualidade, os Tinariwen cantam o exílio e a oposição.

Depois de terem marcado presença no Rosskilde Festival e no Womad Rivermead Festival, o grupo do Mali traz-nos o registo que já foi considerado uma "obra-de-arte" e que, desde a sua edição em 2004, ainda não saiu do top musical europeu.

Recorde-se que os Tinariwen se destacaram internacionalmente quando ajudaram a organizar o Festival do Deserto, um evento anual que leva ao Norte de África fãs e celebridades de todo o Mundo, e que dá especial atenção ao povo tuaregue e, consequentemente, aos seus embaixadores musicais, os Tinariwen.

Composto por canções vivas, com coros profundos e verdadeiros, «Amassakoul» apresenta-se mais cuidado e polido que o anterior e registo de estreia «The Radio Tisdas Sessions». Conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional Tuaregue com guitarras eléctricas, em 1979, os Tinariwen continuam a ser liderados por Ibrahim Ag Alhabib, membro original da formação detentor de uma voz distinta um estilo de tocar guitarra único.

Dia 12 Maio 2006
Mundo Secreto
O hip-hop não é todo igual e os Mundo Secreto querem ser disso estandarte. Ao misturar R&B, funk e soul à paixão que nutrem pelo hip-hop, este colectivo de Leça da Palmeira tem vindo a afirmar-se no panorama nacional. Desde a formação, em 1999, já experimentaram diferentes formatos. Idealizados pelos MCs Diogo, Durval, Chico e Miguel, acompanhados pelo DJ Sistema, na produção instrumental, os Mundo Secreto foram presença habitual em festivais de Verão.

No ano passado, a formação sofreu alterações e ao habitual soundsystem deu-se lugar a uma banda, ou seja, os samples electrónicos foram substituídos pela orgânica de instrumentos reais. Ao quinteto de vozes juntaram-se Pedro Teixeira (baixo), Nuno Melo (guitarra) e João Rabelo (bateria) e o DJ Sistema passou a acompanhar a banda ao vivo. A sonoridade tornou-se, automaticamente, mais intensa e variada, dando uma força suplementar à mensagem positiva que, desde início, tentavam transmitir.

Ao vivo, os Mundo Secreto contam ainda com a participação de Alexandre Almeida, dos Bandemónio, e Mafalda Leite (voz). A energia que passam nos concertos é contagiante e a maquete que acabaram de gravar no estúdio de André Indiana serve de testemunho.

"Há pelo menos 2 anos que, no eixo Vila Nova de Gaia-Porto-Matosinhos, vão surgindo catadupas de bandas, criadores de graffitis e público devotado ao hip-hop. Os muito jovens Mundo Secreto são uma amostra credível desse microcosmos cultural e artístico, oferecendo sinais de enorme vitalidade (...) e uma frescura na atitude e na vontade de mostrar obra sobreponde-se a uma atitude estética ainda crua. [...] Um pouco mais de refinamento, e pode-se estar perante um importante caso musical" in Blitz (2001)

Macaco
Liderado pelo espanhol Dani 'El Mono Loco' Carbonell, o grupo Macaco não estabelece fronteiras na sonoridade nem na formação. Composto por músicos latino-americanos (entre eles, um brasileiro) e europeus, os Macaco exploram, com harmonia, ritmos e elementos de diversos países como o reggae, ragga, hip-hop, rap, rock, funk, folk e flamenco. Esta miscelânea sonora e cultural levou-os a colaborar com projectos distintos como Magia Animal (hardcore), Dr. No (funk), Ojos de Brujo (flamenco) ou Dusminguet (rumba, cumbia).

Na estreia na Casa da Música, os Macaco trazem o quarto álbum de originais, «Ingravitto», editado no início de Abril. Com mais espaço para sonoridades acústicas, em detrimento da electrónica, o sucessor de «Entre Raíces y Antenas» (2004) - que os transformou num dos grupos mais importantes de Espanha, na cena mestiça, e num expoente da "cena de Barcelona" - parece ter encontrado um planeta seguro para a banda se estabelecer, depois de tantas voltas pelo universo.

A versatilidade dos elementos está presente na sonoridade dos Macaco que conta com elementos latinos como o reggae, hip-hop ou funk, e contagia quem ouve. As canções de «Ingravitto» chegam até nós em cinco idiomas distintos (inglês, espanhol, francês, português do Brasil e italiano) pela voz de vários convidados.

Os Macaco começaram a trabalhar juntos quando Dani Carbonell (ex-Magia Animal, Dr. No, e Ojos de Brujo) se juntou à banda La Hermandad Chirusa, composta por músicos talentosos da Argentina, Colombia, Brasil e Espanha. Uma mistura de rap, rumba, pop, funk e reggae que deu origem ao álbum de estreia «El Mono En El Ojo Del Tigre» (1999) de onde David Byrne retirou «Veraveraboom» que, mais tarde, viria a remisturar.

Com o objectivo de criarem um projecto tão cosmopolita como a sua cidade de origem, os Macaco seguiram a intuição que lhes dizia que o futuro passava por um diálogo multi-cultural, pela comunhão de palavras e sons, aromas e cheiros, gostos e sabores. Ao longo de oito anos editaram três discos e com o tempo perceberam que tinham razão, o seu pressuposto estava correcto.

Sem pausas, mas sem pressas, os Macaco fundaram a sua própria editora, El Murmullo, e um selo discográfico, Mundo Zurdo, para editarem, em 2004, o duplo «Entre Raíces y Antenas» que antecedeu o álbum que serve de pretexto à passagem desta formação catalã pela Casa da Música, «Ingravitto» (2006).


Shantel DJ
Shantel (a.k.a Stefan Hantel) tornou-se no primeiro artista alemão a vencer o BBC World Music Award - Club Global, prémio que recebeu em Abril, na Brixton Academy de Londres onde participou com um DJ set. Prestigiado por distinguir os músicos/bandas não-mainstream mais aclamadas, este galardão da BBC também já foi entregue a Khaled, Mariza e Los de Abajo, que tivemos oportunidade de ouvir na Casa da Música, assim como Manu Chao, Gotan Project ou Lhasa de Sela, nomes bem conhecidos do público português.

Depois de um ano repleto de sucesso e reconhecimento internacional, graças aos dois volumes de «Bucovina Club», que entraram directamente para o primeiro lugar do top europeu de World Music, Shantel traz à Casa da Música um set onde mistura, de forma eclética, sonoridades que vêm do Brasil e do Norte de África com baladas romanas e danças dos Balcãs. Tendo como referências Kruder & Dorfmeister, Howie B., Kid Loco e Fila Brazillia, os sets de Shantel primam por batidas exóticas e psicadélicas.

Naquele registo premiado, Shantel mistura os maiores representes da música cigana e dos Balcãs onde se destacam Mahala Rai Banda, Fanfare Ciocarlia, Balkan Beat Box, Slonovski Bal e Goran Bregovic. Resultado das noites loucas do Bucovina Club, em Frankfurt, «Bucovina Club 1/2» reúne um conjunto de músicas romenas aliadas a sonoridades rock/retro. Música tradicional da Moldávia à Sérvia, processada por computadores da cena club, é apenas um ponto de partida.

«Higher Than The Funk» (1998) sucedeu o álbum de estreia «Club Guerrilla» (1997) e despertou a atenção do mundo para uma mistura única de 'downtempo' com 'technopop' que tornaram Shantel desejado nas pistas de dança. Com a participação de vozes quentes, orquestras ou a solo, o artista/músico/DJ é presença habitual nos maiores festivais do mundo como o Transmusicales, Balkan Fever Festival, Station-to-Station Festival, Le Gipfel du Jazz e WOMEX.

Em 2001, Stefan Hantel mudou-se para Israel e gravou «Greatdelay» com um quarteto de cordas, um ensemble de sopros e o vocalista Efrat Ben-Zur. O clima e a atmosfera de Tel Aviv tiveram um impacto mágico em Shantel e isso está bem presente neste registo. Dub, house, breakbeats, bossa, batucada e música oriental são apostas da sua sonoridade. Paralelamente, Stefan Hantel produziu os álbuns dos Boom Pam (Tel Aviv), Binder Krieglstein (Viena), Slonovski Bal (Paris) com lançamento previsto para breve através da sua editora, Essay Recordings.

Dia 13 Maio 2006
Philarmonic weed
Reggae, afro-beat, funk, drum'n'bass, samba, soul, blues e jazz. Uma mestiçagem musical e artística, oriunda de Lisboa, que nos propõe um som multicolor e multifacetado. Juntos desde 1997, Milton Gulli (voz, guitarra eléctrica e teclas), Ricardo Bicho (guitarra acústica, teclas, melódica e cavaquinho), Marisa Gulli (percussão e coros), Rita Pinho (voz, coros e teclas), Renato Almeida (baixo) e Tiago Romão (bateria) estreiam-se nas melhores condições na Casa da Música ao serem convidados a representar o nosso país no Festival Mestiço. As vivências pessoais de cada elemento da banda, alguns deles naturais de Moçambique, Cabo Verde, Arábia Saudita e Brasil, introduzem nos Philharmonic Weed um poder natural presente na sonoridade e na mensagem. As letras assumem um discurso bastante interventivo de carácter social, humanista e defensor de uma teoria de miscigenação de culturas.

Presentes em vários concursos de música e em eventos como o Festival Mundial da Juventude no Panamá (América Central), em 2001, ou Vilar de Mouros, em 2003, os Philharmonic Weed trazem ao Porto o primeiro longa-duração «Primeiro Mundo», que sucede ao EP «Capital Som». Um cozinhado de música negra actual e antiga, mas com um tempero à la Philharmonic. Neste registo, a banda conta com a participação de Sam the Kid, Melo D, João Gomes (Cool Hipnoise), Prince Wadada, DJ Nel Assassin e o norte-americano Jesse Chandler. A preparar a apresentação de «Primeiro Mundo» no Brasil, França, Bélgica e outros países da Europa, os Philhamonic Weed fazem uma paragem na Casa da Música para mostrar, em primeira-mão, o tão aguardado registo.

Cibelle
Descoberta pelo "alquimista" jugoslavo Suba, Cibelle Cavalli estreou-se no mundo da música no disco do produtor «São Paulo Confessions». Modelo e actriz, a jovem brasileira oriunda de São Paulo conquistou a crítica e o público europeu com o registo homónimo de estreia lançado em 2003, pela editora belga Crammed, a mesma de Suma e Bebel Gilberto. Em português e inglês, Cibelle misturou samba e bossa nova com trip-hop, electrónica (downtempo) e guitarras psicadélicas. Produzido por Apollo 9 (um dos mais promissores produtores brasileiros da actualidade), «Cibelle» foi misturado pelos arquitectos sónicos dos Morcheeba, Christ Harrison e Pete Norris. Ross Godfrey (Morcheeba) é um dos convidados desde registo onde toca guitarra e teclas. Mas há mais: João Parahyba, Ary Moraes, Eder Rocha (percussionista de Mestre Ambrosio), Johnny Alf (veterano do Samba), o rapper Xis, o produtor francês David Walters (Zimpala), o pianista cubano Pepe Cisneros, os baixistas Serginho Carvalho e Robinho e o guitarrista Richard Harrison, entre outros.

Muito mais que uma cara bonita, não deixando de o ser, Cibelle instalou-se, depois da súbita morte de Suba, em Londres de onde nos apresenta o seu segundo registo de originais, «The Shine of Dried Electric Leaves» (2006/ Crammed). Uma reunião única de elementos criativos que resultam em música. Uma "obra-de-arte" que combina instrumentos acústicos com processadores electrónicos, guitarras barulhentas e brinquedos de crianças, em melodias puras conduzidas pela sua inconfundível voz.

Contadora de histórias por excelência, Cibelle co-produziu este registo com Mike Lindsay e Apollo 9, entre São Paulo e Londres. Misturado em Paris por Yann Arnaud (Air), «The Shine of Dried Electric Leaves» contém um intenso sabor internacional. Como convidados neste registo, Cibelle conta com o conterrâneo Seu Jorge, o norte-americano Devendra Banhart, e o MC francês Spleen (CocoRosie). Para além dos originais, este trabalho apresenta versões pouco usuais como a de «Green Grass», de Tom Waits; «London London», de Caetano Veloso, que é cantada em dueto com Devendra Banhart; e «Por Toda a Minha Vida», de Antonio Carlos Jobim. Razões suficientes para conhecer o trabalho desta jovem brasileira que já conquistou a Europa com a frescura e criatividade da sonoridade que apresenta.

Dj Dolores & Aparelhagem
Reconhecido e premiado por misturar sons tradicionais do nordeste brasileiro com música electrónica dançável e elementos de rock e dub, DJ Dolores (a.k.a. Hélder Aragão) vem à Casa da Música apresentar o mais recente «Aparelhagem». Depois do projecto Orchestra Santa Massa - com quem editou «Contraditório» que lhe valeu o prémio BBC World Music Award, na categoria de Club Global - DJ Dolores cria uma zona de confluência entre as várias expressões da tradição musical urbana do norte/nordeste do País, sob a óptica da electrónica, e cria o projecto DJ Dolores & Aparelhagem: uma expressão popular, tipicamente brasileira que define o sound system. Aqui, destacam-se os metais de acento nordestino, melancólicos como velhos temas de reggae, guitarras limpas, percussão, sintetizadores vintages e laptop.

Presença habitual nos grandes palcos de todo o mundo, o produtor sergipano, com ares pernambucanos, continua a emprestar o seu talento a outros projectos e do seu curriculum fazem parte remisturas de Gilberto Gil, Tribalistas, Nana Vasconcelos, Paulinho da Viola, Fernanda Porto e Taraf de Haidouks. Em 2004, DJ Dolores & Aparelhagem iniciaram uma digressão mundial que passou por 14 países, entre eles a Turquia, Eslovénia e Macedónia. No final do ano, Hélder Aragão foi convidado a participar na colectânea «Rip, Mash, Sample, Share», distribuída pela conceituada revista americana «Wired», ao lado de nomes como Beastie Boys, David Byrne, LeTigre, The Rapture, Gilberto Gil e outros.

Lançado simultaneamente no Brasil e na Europa, «Aparelhagem» conta com o selo da Ziriguiboom/Crammed Discs, a editora de Bebel Gilberto, Bossacucanova e Trio Mocotó. Sobre o seu segundo registo, DJ Dolores diz: "A Aparelhagem é um projecto novo e mutante, onde experimentamos novas formações, novos elementos". Pensado em 2003, «Aparelhagem» nasceu de MDs, câmaras mini-DV e laptop com interface portátil. As gravações aconteceram em hotéis, no quarto do produtor, na rua e em dois estúdios profissionais.

Ex-designer, ex-roterista e director de documentários para televisão, Hélder Aragão assinou as bandas sonoras de peças de teatro como «A Máquina», de João Falcão, assim como curtas e longas-metragens, como «O rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas», de Paulo Caldas e Marcelo Luna, e «Narradores de Javé», de Eliana Café. Na área da dança, colaborou com Folias Guanabaras de Ivaldo Bertazzo, compondo a música para o mais recente espectáculo do Corpo de Baile da Cidade de São Paulo.
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