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Imagem de Amália no Coliseu do Porto

Musical
Rita Ribeiro e o Musical AmarAmália
Texto Publicado no Diário de Notícias por Viegas Gomes a 13 de Maio de 2000

AmarAmália, a nova interpretação que Rita Ribeiro veste no palco depois de Maria Callas e Rosa Tatuada, estreou-se no Casino de Vilamoura, não como mera sala de variedades a que está acostumado, mas como piccolo teatro onde subiu à cena um espectáculo digno do melhor estilo.

Com produção de Belinda King, uma inglesa inspirada em Georges Balanchines, bem longe de uma estrangeirada a dançar o fado, tal a comunhão de actores, bailarinos, guitarra e saxofone verificada, o espectáculo valeu a pena, já que teve rigor, elegância e sobriedade. Rita Ribeiro cumpriu o "fado" que Amália um dia lhe ditou: "A única pessoa que me pode representar um dia em palco é a Rita." E assim foi. A promessa concretizou-se. Armando da Silva Carvalho disse um dia nas páginas do DN que "o fado não é só música e tem plena razão". AmarAmália demonstrou-o à saciedade. O fado da Amália, não corrido, prestou-se a muito mais. Em Vilamoura, ele foi música, mas também invenção poética e bailado sério.

"Se Amália estivesse presente, teria gostado com toda a certeza", confidenciou ao DN Rita Ribeiro, pese embora a responsabilidade que a artista carregou sobre os ombros, que não foi apenas corajosa. No caso, os aplausos vão também para Hugo Rendas, que com ela contracenou, e Óscar Branco, que elaborou o guião.

O espectáculo abriu com a guitarra portuguesa interpretando o "Solidão". Depois, foram os fados dos letristas e poetas lisboetas, alfacinhas de gema - Frederico Valério, Raul Ferrão, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill, Ary dos Santos e Alain Oulman. Sucedeu então o Brasil, pela mão de Vinicius, com fundo de Portinari, José Régio, Pedro Homem de Melo, o vira e a tarantela. Uma viagem sublime, que se inciou em 1920 e acabou no fatídico 6 de Outubro de 1999, às portas de São Bento, com estilo certo, bom jogo de cena e lógica na composição coreográfica.

Encarnar o espírito português, comprovar que o fado também é invenção estética, para além de intimismo nostálgico, não é fácil, mas Rita Ribeiro conseguiu-o. As cenas de grupo e o dueto Rita-Rendas, para além do estilismo de Augustus, que vestiu a actriz, e os cabelos de Victor Hugo, constituíram o melhor do

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