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Alinhamento
1. Nanatsu
2. Vinte Anos
3. Heptacordo
4. Baixando de Ti
5. Armenia
6. Samesugas
7. Setestrelo
7-1. Hebdomadaria
7-2. Albores
7-3. Cantos de Monzo
7-4. Gali@Matias.Tacom
7-5. Alquimista de Soños
7-6. Azul Graso

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Galiza
Berrogueto

Hepta - Os sete magníficos
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Audio em MP3... Natatsu (Faixa completa em mp3)

Hepta é o novo disco dos sete magníficos da galiza: os Berroguetto - um grupo que ousou destronar os "lendários" Milladoiro do papel de embaixadores de uma certa visão conteporânea das tradições musicais da Galiza. Não só o conseguiram, como vão mais longe. Este é o grupo galego de que mais se fala por aí.

Por João Maia

CapaHepta.jpg (23079 bytes)
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Para quem ainda não os conhece, os Berroguetto são hoje considerados, quase de forma unanime, como o melhor grupo de música tradicional galega (o que só merece maior destaque se tivermos em consideração que entre os seus 'concorrentes' temos nomes como os Milladoiro).

Isto acontece muito por culpa do merecido sucesso atingido pelos seus dois primeiros álbuns 'Navicularia' e 'Viaxe por Urticaria', verdadeiras obras-primas nas quais se destaca a abordagem original e bastante contemporânea que os músicos dão a temas tradicionais.

E depois destas duas obras sensacionais, muita era a expectativa em redor do terceiro álbum deste grupo, apresentado em Dezembro de 2001 no CGAC - Centro Galego de Arte Contemporanea em Santiago de Compostela (cujo projecto esteve a cargo do arquitecto português Siza Vieira).

Este álbum, denominado muito a propósito 'Hepta' ('sete' em grego) gira em redor do número 7 e dos seus vários significados na natureza. Sete são as cores do arco-iris, sete são as belas artes, sete são as notas musicais, sete os dias da semana. E sete são também os elementos do grupo: Anxo Pintos (sanfona, gaita, saxofone), Guadi Galego (voz, gaita), Santiago Cribeiro (acordeão, teclados), Quim Fariña (violino), Quico Comesana (bandolim, harpa, bouzouki); Guillermo Fernandez (guitarras, baixo), e Isaac Palacin (percussões e bateria).

E o projecto 'Hepta' cedo deixou de ser apenas um projecto musical para se estender a outros meios artísticos. Para a concepção artística do disco o grupo contactou o artista francês Georges Rousse, conhecido pelo facto da arte que cria abarcar a fotografia, a arquitectura, a pintura e a escultura em simultaneo. Este artista, nascido em Paris, é mundialmente conhecido pelas suas intervenções em lugares abandonados, em ruínas, ou em vias de demolição, que modifica durante o tempo necessário para os fotografar e dessa forma os reinterpretar, perpetuando-os assim através das imagens resultantes.

No fundo, e segundo o músico Quim Fariña, "existe um paralelismo supreendente entre os Berroguetto e o trabalho de Georges, uma vez que o nosso jogo consiste na recuperação de melodias tradicionais também condenadas a desaparecer". Com efeito, tal como Rousse trabalha os espaços até acabar por imortalizá-los através da fotografia, os Berroguetto trabalham os temas e os instrumentos tradicionais, dando-lhes uma nova estrutura que acabam por perpetuar através do registo discográfico.

A intervenção de Georges Rousse no ambito do projecto 'Hepta' ocorreu no conjunto histórico-artístico de Sargadelos, uma fábrica de cerâmica abandonada, com 200 anos, situada próximo de Lugo, na Galiza. Durante sete dias, em Julho de 2001 (o sétimo mês do ano), o artista trabalhou com os sete elementos da banda de forma a recuperar o espaço e a integrar nele os próprios músicos. Para tal os artistas sujeitaram-se a ver a sua pele pintada com sete cores diferentes.

Aliás, diga-se que esta não é a primeira vez que os músicos participam activamente na concepção artística dos seus discos, depois de se terem coberto de barro para as belas fotografias do seu disco anterior, 'Viaxe por Urticaria'.

No que diz respeito à vertente musical, uma vez mais os Berroguetto conseguiram estar à altura das expectativas. Nos seus treze temas, o disco volta a utilizar a fórmula dos anteriores, utilizando abordagens típicas de estilos musicais contemporâneos como o pop e o jazz, para envolver a musica e os intrumentos tradicionais da Galiza.

Uma vez mais, este é um disco que não se esgota nas primeiras audições, pois conseguimos sempre, em cada audição, descobrir pequenos detalhes na estrutura de cada um dos temas, ou na forma como os sons dos vários instrumentos se interligam, quase sempre na perfeição. E de novo se volta a notar que os Berroguetto funcionam como um verdadeiro grupo, dividindo entre todos os seus elementos a composição dos temas, sem que qualquer dos músicos tenha um protagonismo exagerado.

Tal como haviam feito em 'Viaxe por Urticaria', os Berroguetto contam num ou noutro tema com a colaboração de músicos convidados. Desta feita, os nomes de destaque são Djivan Gasparyan, mestre arménio do duduk (instrumento pastoril que se assemelha a uma flauta); Kalman Balogh, tocador húngaro de cimbalão (instrumento tradicional da música cigana daquele país de leste); e o sueco Markus Svensson, com a sua nickelharpa (instrumento que está a meio caminho entre uma sanfona e um violino, muito utilizado por grupos como os Vasen e os Hedingarna).

Uma vez mais, o disco é extremamente uniforme na qualidade dos temas, porém os pontos mais altos estão em 'Nanatsu', 'Vinte Anos', 'Armenia', 'Alquimista de Soños', 'Albores' e o fantástico 'Samesugas'. Dispensável era o tema escondido no fim da última faixa do disco que não é mais que um remix do tema 'Cantos de Monzo'.

Este é mais um disco que vem cimentar a posição alcançada por estes sete magíficos galegos no panorama da música tradicional europeia. Os conhecedores podem argumentar que não será tão bom como os anteriores (muito embora a diferença não seja significativa), porém quem dera a muitos grupos (na música tradicional e não só) que o seu melhor disco fosse tão bom como este. Voltar ao Topo

 

 

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