Novas
vos trago - João Afonso |

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Morte do Príncipe D. Afonso de Portugal |
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Este romance, composto por Frei Ambrósio de
Montesinho durante os últimos meses de 1491 e publicado em Toledo, em 1508, teve uma
rápida tradicionalização. O erudito francês Gaston Paris encontrou uma cópia de uma
versão abreviada, muito provavelmente coligida da tradição, num manuscrito datável de
1495. Reporta-se este romance à morte do filho de D. João II, o príncipe D. Afonso,
herdeiro da coroa portuguesa, que, como se sabe, morreu em 1491 de uma queda de cavalo,
próximo de Almerim. As únicas versões conhecidas deste tema, para além das duas
assinaladas, foram recolhidas na tradição oral moderna, oriundas dos arquipélagos da
Madeira e dos Açores, para além de alguns fragmentos brasileiros. A versão aqui
apresentada (contaminada, como é habito na tradição insular, por um fragmento de uma
canção moderna e pelo romance do "Testamento do Pastor") foi recolhida em
1981, na ilha da Madeira e publicado por P. Ferre, Romances Tradicionais (Funchal 1982, p,
39). |
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Mariquinhas à janela, casada
com treze dias, quando pass'um cavaleiro, tristes novas le trazia.
- Tristes novas trago eu, tristes novas de chorar, que sê marido é morto em terras de
Portugal, eu dou cavalo em baixo, em cima do areal, arrebentou fel e corpo, em estado de
nã escapar. Ela quouviu aquilo tratou de encaminhar c'as suas jóias atrás na
poderem alcançar
Chegou ao pé do marido um abraço 1'ia dar.
- Donde vindes, mulher? Nã macabes de matar, qu'inda és menina nova, ainda podereis
casar.
- É nã me caso nã quero, sem ganhar o mê perdido, é nã sei s'alcançarei outro tão
belo marido.
- Chama-m'aquele doutor que lá vai naquela rua, qu'eu quero-le perguntar se mal d'amores
tem cura.
- Mal d'amores não tem cura quê um mal desamarrado; quem morre de mal d'amores nã
s'interra em sagrado. Enterra-se em campos verdes onde sapastora o gado, com meio braço
de fora e com o sé letreiro armado, para quem passar dizer.
- morreu um triste desgraçado.  |
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S. Simão |

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Encontra-se documentado este romance já no século
XVI, em folhetos de cordel (cf. os números 499 e 500 do Nuevo diccionario bibliográfico
depliegos sueltospoétícos. Siglo XVI de Antonio Rodríguez Moiíino, edição corrigido
e actualizada por Arthur L.- E Askins e Víetor Infantes, Madrid, Editorial Castalia,
1997). Este tema de origem baladístíca foi recolhido na Provença, Itália, Grécia,
Bulgária, Roménia, Escócia e na América do Norte, sendo também cantado, na Península
Ibérica, em versões castelhanas, catalãs e galegas. A tradição judaico-espanhola
também conserva este romance. Quanto à sua penetração na península parece derivar de
um texto grego, divulgado na Catalunha, tendo-se daí expandido, sob a forma de romance. A
sua presença, em Portugal, resume-se a Trás-os-Montes onde se recolheram 5 versões (4
publicados e 1 inédita). Pouco difere o texto divulgado no século XVI das versões
portuguesas; acentua-se, no entanto, a irreverência, dado que, apesar da donzela já ter
perturbado, ua versão antiga, o abade ("el abad que dize Ia missa / no Ia puede
dezír non;"), são os "monazillos que le ayudan" que "no aciertan
respondernon: // por dezir'Amén, ainén'/ dezian 'Amor, amor. A lição aqui
gravada foi estampada no Romanceiro Português de Leite de Vasconcellos, vol. 11 (Coimbra
1960, p. 279). |
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Em Castela há um santo que se
chama S. Simão,
onde vão, frades e freiras ouvir a missa e sermão;
e também D. Maria, das mais altas que lá vão.
Ao entrar para a igreja sete padres namorou;
O que estava a dizer missa logo para trás olhou;
O que mudou o missal sete folhas lhe rasgou;
o que lhe dava as galhetas todo o vinho lhe arramou,
e o que tocava o sino do campanário saltou;
quebrara sete costelas e um braço deslocou!
Mal haja a D. Maria e mais quem na cá passou;
em tão poucochinho tempo tanto mal ela causou!  |
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João Afonso
Cultiva desde cedo o gosto de cantar, colhendo influências quer
da música urbana africana, quer da música popular portuguesa, esta através do seu tio
Zeca Afonso, tão só a mais importante referência da música popular portuguesa de
sempre.
Tem participado em diversos projectos com outros músicos populares portugueses, tendo em
Maio de 1997 editado o seu primeiro trabalho discográfico (missangas) que lhe valeu
diversos prémios, nomeadamente o prémio José Afonso, em 1998. |
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