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Encontro de Tocadores
Adufe
Os instrumentos e os seus tocadores
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Os pandeiros são membranofones de percussão directa, de aro muito baixo, cujas peles são fixas (não permitindo portanto a graduação da sua tensão e tonalidade), cosidas umas às outras sobre o aro, ou pregadas a este.

Denominamos pandeiros os membranofones de percussão directa, de aro muito baixo, cujas peles são fixas (não permitindo portanto a graduação da sua tensão e tonalidade), cosidas umas às outras sobre o aro, ou pregadas a este. Dentro desta definição geral, porém, a palavra designa vários instrumentos uni e bimembranofones de diversos formatos, nomeadamente redondos e quadrangulares ou poligonais, grandes ou pequenos, e sem ou com soalhas interiores ou exteriores (e que, de resto, aparecem com frequência nas mesmas ocasiões, e que há uma certa tendência para considerar conjuntamente).

Gravações
I Encontro Tocadores Tradicionais

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Audio em MP3... Ritmo de Roda - Mão esquerda
Audio em MP3... Ritmo de Passo
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Pandeiros bimembranofones — Os pandeiros bimembranofones (que consideramos apenas na sua forma quadrangular, que é a mais característica) encontram-se entre nós, hoje, exclusivamente na faixa oriental do País, desde a Lomba de Vinhais, no alto Trás-os-Montes, até ao rio Douro, e de terras da Guarda até ao Baixo Alentejo ou seja, nas áreas pastoris portuguesas por excelência,onde eram, até não há muito tempo, extremamente correntes, continuando a sê-lo em algumas partes, nomeadamente na Beira Baixa, de que se podem mesmo considerar o instrumento característico. Eles aparecem associados à música vocal popular tradicional mais genuína — por vezes caracteristicamente arcaica — das diversas regiões onde ocorrem, como seu acompanhante natural e específico.

Em Portugal, os pandeiros bimembranofones quadrangulares são quase quadrados ou losangulares; em casos pouco significativos, ocorrem também alguns redondos, e, num exemplo único, em Duas Igrejas (Terras de Miranda), triangulares e hexagonais, a par dos quadrangulares; mas, pelo menos actualmente, os redondos, e por maioria de razão os triangulares e poligonais, não mostram, além do seu formato, características especiais que os distingam essencialmente dos quadrangulares.

Distribuição
A área portuguesa do pandeiro quadrangular, a Ocidente, não ultrapassa, em Trás-os-Montes, a Lomba de Vinhais, prolongada, a inflectir para leste, na linha de Bragança a lzeda e alturas para lá dos vales inferiores do Sabor, abrangendo assim, além dessas terras de Vinhais e da Lombada de Bragança, a região tão peculiar do Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro, e o concelho de Freixo de Espada à Cinta. Na Beira-Alta, o uso e a área deste pandeiro são, pelo menos actualmente, diluídos e imprecisos; mas, aí e na Beira Baixa, a serra da Estrela marca um limite perfeitamente definido, que continua ao sul pela serra de Alvelos, existindo outrora o instrumento em Proença-a-Nova (Amendoa), mas sendo desconhecido na Sertã. No Alentejo, ele vai até ao sul de Beja (Ataboeira), hoje também muito escasso, à excepção da região de Portalegre e Santa Eulália (Elvas), onde mantém plena vigência.

Ele é especialmente frequente, e com a maior vitalidade, na Beira Baixa. Temos notícia de pandeiros bimembranofones redondos apenas em localizações dispersas e muito restritas, por exemplo na Gestosa (Lomba de Vinhais), estreito e com soalhas no aro, usado pelas mulheres, a acompanhar o canto e a dança; em Monforte do Alentejo (ao mesmo tempo que o quadrangular), usado igualmente pelas mulheres nas alvoradas do S. João; em Duas Igrejas (Miranda do Douro), pertencentes ao grupo folclórico local. Actualmente, estes pandeiros redondos, entre nós, não mostram caracteres especiais que os distingam essencialmente dos quadrangulares.
(Extraído e adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", de Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian, 2000). Voltar ao Topo

 

 

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